quarta-feira, 16 de março de 2011

Manso, sim. BABACA, não!

Marcello Comuna




Equivocadamente, no nosso meio evangélico (por conta dos escândalos tenho enorme dificuldade com esse termo), existe um pensamento de que nada devemos questionar ou refutar quando algo duvidoso ou errado parte de alguma autoridade superior, seja ela eclesiástica ou civil. A corroboração bíblica para tal pensamento para muitos está nas orientações de Paulo sobre submissão as autoridades, pois elas são constituídas por Deus (Romanos 13: 1).


Talvez eu esteja errado, mas acredito que homens maus intencionados forçam esse texto para se perpetuarem no poder, para exercer um autoritarismo disfarçado de autoridade espiritual.

Nessa madrugada, enquanto assistia Altas Horas, senti uma doce vontade de ter um tempo com o Pai, troquei de canal. Fui para as Escrituras.

O “acaso” me levou ao livro dos Atos dos Apóstolos, para passagem da jovem adivinhadora. Li os versículos seguintes, e quando cheguei ao verso 37 do capítulo 16, tive que vir aqui para escrever esse texto.

Perceba como o mesmo Paulo que recomendou submissão as autoridades, confronta os pretores que os prenderam.

“Paulo, porém, lhes replicou: Sem ter havido processo formal contra nós, nos açoitaram publicamente e nos recolheram ao cárcere, sendo nós cidadãos romanos; querem agora, às ocultas, lançar-nos fora? Não será assim; pelo contrário, venham eles e, pessoalmente, nos ponham em liberdade.” (Atos 16: 37)

Meu irmão! É muita marra no lance!

É incrível como às vezes passamos por tesouros das Escrituras despercebidos. Todo resquício de duvida que eu tinha sobre Romanos 13.1 foi dissipado nesse texto.

O contexto dessa passagem é a prisão de Paulo e Silas por conta da expulsão do demônio adivinhador de uma jovem e, consequentemente, a ira e perseguição por parte dos seus cafetões espirituais.

A dupla dinâmica teve uma madrugada histórica. Os louvores de suas bocas fizeram a terra tremer e as cadeias se abrirem, depois eles salvaram a vida do carcereiro que ia se matar, “ganharam” toda a família do mesmo para Cristo, batizaram geral, passaram a noite fora da prisão, no amanhecer voltaram para cela, e por fim, Paulo meteu uma bronca dessa para cima dos oficiais! (Atos 16: 25-37)

Manso sim! Babaca não!

Vocês fizeram a caquinha e agora vão ter que limpar! Veja como isso é diferente da subserviência cega que é ensinada para o povo de Deus.

Paulo passou a madrugada em claro, devia estar exausto, louco por uma cama, uma relaxada, então, quando recebe a notícia que estava livre, ao invés de ir embora, resolve fazer uma hora extra no xadrez.

Penso eu que Paulo fez um bom cursinho de hermenêutica com Gamalieu (rs), ele sabia que respeitar uma autoridade não é o mesmo de ser boneco de manobra dela.

Sair calado com o rabinho entre as pernas era se conformar com a injustiça desse mundo, com o abuso do poder. Confrontá-los foi um testemunho de fé e de ousadia Naquele em quem eles criam. Afinal, ele mesmo escreveu para não nos conformarmos com esse mundo...

Vejo Paulo sendo submisso e contundente ao mesmo tempo.

Por que ele não fugiu quando as celas se abriram?

Por submissão a Deus e as autoridades constituídas por Ele.

Ele não recebeu uma ordem direta do Pai para fugir como aconteceu com Pedro quando estava preso e um anjo do Senhor o libertou.

Penso que a vontade de Deus para ele naquele instante era estar ali. Almas seriam salvas nos momentos seguintes. Paulo se privou da liberdade pela alma do carcereiro. Quer submissão maior que essa?! Porém, uma submissão serena, madura, com um propósito especifico, não uma subserviência alienada e inútil, revelando um estado de letargia mental, como infelizmente, vemos em muitos desses que andam seguindo certas lideranças.

A submissão sem instrução se transforma em alienação. Paulo conhecia seus direitos de cidadão romano e os fez valer.

Nos dias de hoje, eu vejo meus irmãos sendo assediados moralmente, sofrendo abusos de todas as espécies e permanecendo calados. Omissos ao autoritarismo de gente que não sabe o que é o amor, somente o poder. Acham que viver constantemente humilhados e defraudados são os planos de Deus para suas vidas. Confundem o “negar a si mesmo”, que realmente, às vezes implica em grandes perdas e “engolimentos” de sapos e brejos inteiros, com uma falsa humildade acompanhada de uma grande covardia.

Reaja homem! Reaja mulher! Como diria o Hermes Fernandes, pratique a Santa Rebeldia.

Minha decisão para o momento é ficar com o que Mestre mandou. Manso como a pomba, mas astuto como a serpente.

Se Jesus é a pedra de tropeço, eu quero ser a pedra no sapato dos autoritários!

Como diria minha esposa: “Quem pergunta quer resposta!”

Falei! 

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Este texto (e muitos outros bons), você encontra no Blog Mulheres Sábias!


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