sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Quem é você?

Gabriel Tardin





Era um dia de sol, todos os bichos estavam na mata e tudo corria normalmente. Até que se vê um pequeno ratinho correndo rapidamente de um canto para o outro e dando altos pulos. Fazia assim sem parar e rapidamente. Corria e pulava, corria para o outro lado e pulava... E não parava. A cena era tão intensa que chamou a atenção de um leão que por ali passava. O leão, então, se aproximou do ratinho e disse:

- Ora, por que corres assim, tão rapidamente e sem parar? 
- Estou tentando ser um pássaro - responde o pequeno roedor, sem parar de correr e pular. 
-  Ah, entendi... Queres voar? - diz o leão, maliciosamente.
- Quero sim. O senhor pode me ensinar? - Diz o inocente bichinho. 
- Claro! Não é fácil tornar-se um pássaro, mas eu posso te ensinar. Tu deves me ouvir e confiar no que te direi.
- Sim, senhor. Farei tudo que me disser. - Diz o humilde ratinho.
- Pois bem, suba no galho mais alto daquela árvore, coma um pedaço do fruto da árvore e quando sentir o vento batendo em teus ombros, abra os braços e pule.
- Mas, comer frutas e cantar é coisa de pássaro, senhor leão. - Diz o ratinho, encabulado.
- Ora, mas tu não queres ser um pássaro? - Diz o leão esbravejando.
- Sim, sim... Quero. Perdoe-me.
Então o ratinho sobe na árvore com toda dificuldade, lá em cima, come um pedaço do fruto, canta a melodia mais bonita que já ouviu e, ao sentir o vento forte, abre os braços e se joga. O ratinho tenta bater os braços, mas não consegue voar. Quando olha pra baixo, percebe que lá está o leão, com a boca aberta esperando para devorá-lo. O ratinho grita, mas é tarde demais. O leão o devora e parte dali satisfeito.

Quando tentei imaginar algo que me prefigurasse o título deste email, me veio à mente a história deste ratinho.
O que mais me incomoda nessa história é o fato do ratinho negar sua própria natureza em prol de ser o que não era. Quando inventei a historinha, não pensei o motivo pelo qual o ratinho queria tornar-se um pássaro, mas, independente do motivo, foi a pior das idéias. Ele era um rato e deveria se contentar com aquilo... Deus o criou assim. Não há maneira de fugir da sua natureza. Somos o que Deus fez e pronto.
Deus nos criou para Sua adoração. Fomos feitos à Sua imagem e semelhança para refletirmos Sua glória dentre toda criação. Fomos feitos para adorar. Mas, adorar a Deus não significa, necessariamente, ser um adorador.
Assim como o ratinho de nossa história, temos corrido de um lado para o outro tentando fugir da imagem e semelhança do Criador, que nos formou, para sermos aquilo que achamos melhor. O problema é que somos tão pequenos e insignificantes (no sentido bruto da palavra) quanto o pobre ratinho e temos um inimigo que "ruge como leão ao nosso derredor".
Quando buscamos fugir daquilo que Deus determinou para nós, somos presos no plano estratégico do leão que nos cerca. E ele é tão cruel a ponto de nos enganar e nos fazer acreditar que seremos superiores ou melhores do que Deus nos fez. 

- Certamente não morrereis. Sereis perfeitos e eternos, como o Senhor. - foi o apelo da serpente no Éden.

Ao preferirmos seguir nosso próprio caminho e querermos mudar algo com simples esforços humanos, automaticamente começamos a ser enganados como aquele ratinho. Nosso inimigo é um grande jogador e um experiente trapaceiro.
Ao final, nos encontramos como o pequeno roedor, em cima de uma árvore, comendo comidas impróprias, sem nos darmos conta de que estamos prestes à cair na boca do leão. Na verdade, apesar de estar "fazendo coisas de pássaro", o ratinho não era pássaro. Ele estava enganado.

Será que estamos nutrindo sentimentos fantasiosos dentro de nós?
Estamos prestes a tombar?

É bom refletir.

"Adorar não significa ser adorador" - não mesmo. O ratinho fez coisas de pássaro, mas não era pássaro, era rato. Lúcifer estava no Céu adorando ao Senhor, mas o espírito de adorador estava longe dele. Lúcifer nutria dentro de si o orgulho, o egocentrismo e uma série de sentimentos ruins, mas, ainda sim, fazia parte do ministério de adoração. Mas, uma farsa não pode ser sustentada por muito tempo, logo Lúcifer mostrou seu verdadeiro rosto.

Qual a máscara que cobre nosso rosto? O que realmente somos? Somos realmente adoradores ou somos como Lúcifer, mascarados espirituais?
Saibamos que nosso Deus é o único que transforma nosso ser, e o único que pode fechar a boca do leão. Não importa se você já estiver próximo da boca dele, Cristo pode tornar a minha e sua história diferente do ratinho.
Adorar é uma ação que pode ser praticada por qualquer um que quiser, entretanto, SER UM ADORADOR é privilégio dos poucos que exaltam a Deus em Espírito e em Verdade.

Quem é você?  

***

Este post é uma saudação de "bem-vindo" ao querido irmão Gabriel Tardin, que é o novo colunista do nosso blog Adoração Reverente!
A cada Sábado teremos um post dele aqui.

Deus abençoe a todos =)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

As bem-aventuranças dos pastores idiotas

Geremias do Couto



Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", quando fordes xingados com este epíteto simplesmente por acreditardes no que disse Jesus: "Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem consomem, e onde os ladrões minam e roubam" (Mateus 6.9). Tal ato insano, ao invés de vos maldizer, mostra que ainda estais firmes na verdade.

Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", que não sucumbistes aos "encantos" da teologia da prosperidade por compreender que "os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína" (1 Timóteo 6.9). Não vos entristeçais, nem penseis que estais sozinhos. Há muitos outros "idiotas" convosco, inclusive o apóstolo Paulo.

Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", por não vos curvardes aos arautos que vos maltratam em virtude de crerdes que aos ricos deste mundo a Palavra de Deus ordena: "Não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas" (1 Timóteo 6.7). Tal maldição é, na verdade, um reconhecimento de que pondes a vossa confiança não nas riquezas desta vida, mas na abundância que vos é dada para a glória de Deus.

Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", que resistis aos apelos dos que vos querem enredar com o brilho do ouro que perece, porque vós bem sabeis que é vosso dever continuardes a ensinar às suas ovelhas "que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente, e sejam comunicáveis" (1 Timóteo 6.18). Saibais que outros "pastores idiotas" iguais a vós foram já recebidos na glória e aguardam o precioso galardão.


Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", porque não perdestes a visão da semeadura e, por isso mesmo, sabeis que não se ganham almas com o glamour das riquezas humanas, mas com a sementeira do evangelho. Sem esquecerdes da advertência da parábola do semeador, que diz: "Os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera" (Mateus 13.22).

Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", por não perfilardes o triunfalismo da pregação humanista, centrada no homem, que enriquece a quem prega e defrauda a quem ouve. Ainda que vos pareça estardes "fora do modelo contemporâneo", alegrai-vos porque continuais apegados ao modelo bíblico, que diz: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Gálatas 6.14).

Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", que embora injuriados pela vossa pregação "arcaica", ainda carregais no bolso do vosso coração a credencial de servo do Altíssimo, enquanto alguns já a trocaram pelas credenciais de semideus, arrogante e soberbo e usam-na ao sabor das circunstâncias para se locupletarem em cima da lã de suas ovelhas.

Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", que, enquanto alguns voam os céus do mundo em modernos jatinhos, trafegam as grandes avenidas em luzentes automóveis e se deleitam nos mármores de grandes mansões, o vosso prazer é estar junto das ovelhas, alegrardes com elas e, se preciso for, dar por elas a vossa própria vida. Não vos esqueçais que outros "idiotas" iguais a vós se encontram já no Reino do Pai.

Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", que preferis o "prejuízo" da coerência, da fidelidade a toda prova aos princípios imutáveis da Palavra de Deus, do que sucumbirdes - ainda que tentados - às lentilhas que se vos oferecem para amenizar eventuais necessidades imediatas. Mais vale o pão dormido da consciência tranqüila do que os banquetes da consciência aprisionada.

Bem-aventurados sois vós, "pastores idiotas", pelo modo como sois tratados por amor do nome do Senhor e por não vos enredardes pelo brilho passageiro da glória humana. Não sois melhores por isso, mas também não sois piores. Todavia, enchei o vosso coração de alegria porque o vosso nome faz parte da galeria dos heróis da fé que professam somente a Cristo e têm Deus como o bem maior da vida. Tende como lema o que Paulo ensinou: "Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos" (Filipenses 4.4).


Assina um "idiota" como todos vós.


***
Como visto no blog do Pastor Geremias do Couto.
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