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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Ano novo, Simone nova!

Graça e Paz, amigos e amigas! Feliz 2012 (atrasado)!
Depois de muuuito tempo de abandono, este pobre blog volta a ver a cara de sua editora... hehe

Este post é apenas um breve agradecimento que eu faço ao Senhor, por todas as maravilhas que me tem feito.
Fui à minha terra (Nova Iguaçu, RJ) no dia 29/12 e retornei neste domingo, 15 de janeiro.
Graças a Deus, apesar de todos os desastres ocorridos por causa das chuvas, tanto no Rio como em Minas, minha ida, permanência e volta foram abençoadas.

Ohhh família grande! E aqui tem
só uma parte!
Estive com minha família (que não é evangélica) no Réveillon. Foi uma diversão e tanto. Já fazia tempo que não participava de uma virada assim animada. Ver o pessoal rindo, comendo guloseimas e jogando videogame me fez bem! Ah, como é bom reencontrar os parentes distantes!

Na maioria do tempo, estive olhando a Gabi, minha irmã caçula de 7 anos. Com ela, aprendi até a gostar de Patati & Patatá... =S (kkkkkkkk) Eu amo aquela garotinha.

Também tive a oportunidade de rever o meu amigo/irmão (herege sabatista perigosíssimo, não se aproximem, é um apóstata! Mais subversivo do que eu, rsrsrs) Esdras Emídio, da Congregação Cristã do Sétimo Dia. Como nós dois somos irreversivelmente contaminados pelo vírus "Hinos sacros", cantamos praticamente o tempo todo em que estivemos reunidos - em casa, no ônibus, nas calçadas, na igreja, na estação de trem Juscelino Kubitschek, na praia da Barra da Tijuca (pasmem!), na rodoviária Novo Rio... Com direito a gente olhando torto e tudo! Eu amo esse cabra, é um amigo fiel que Deus me quis dar; ele é o Elias e eu sou o ("o"?) Eliseu! Eis aí a prova do crime. Dois crentes muito vestidos em plena praia, cantando hinos da CCB... É ou não é coisa de maluco? kkkkk



Tive a felicidade de chegar a Mirabela e ver que Murilo (o meu marido Zé Valente, hehe) encontrou outra casa para nós. Também é de aluguel, mas é mais espaçosa e graças a Deus não tem escada! Eita glória!! =)

Nossa calçada. Logo à frente,
o hospital da cidade.
Aqui é tudo fresquinho. Será muito bom ficarmos aqui até que Deus nos dê condições de adquirir casa própria.
Sem contar que esses dias afastados um do outro nos fez repensar o matrimônio e hoje estamos mais fortes, mais unidos. E unidos venceremos (não, não me refiro a arroz papinha), em nome do Mestre Jesus! O Senhor nos fará triunfar!

Deus sabe como eu estava... Como a música dos caras do Fruto Sagrado: "me sentindo só, me sentindo um pó, igual a Jó"...
Confesso que embarquei no Transnorte, em Montes Claros, sozinha, com um vazio assombroso no coração, temendo pelo meu futuro, por causa das muitas tribulações que me sobrevieram. Enfermidades, problemas conjugais, dificuldade financeira... Jesus, que angu de caroço eu presenciei! Fui chorando até o corpo ficar cansado e assim dormir.
Nos últimos meses, por alguns momentos, vi meus sonhos sendo desmoronados, minha esperança se extinguindo... E, como a gente sempre faz, acreditei que Deus tivesse me deixado de lado, tivesse se esquecido de mim. É natural do ser humano se esquecer de tudo que o Senhor promete, de tudo que Ele faz tanto em nossa vida quanto na vida das pessoas que nos rodeiam.

Porém...
Contudo o Senhor mandará de dia a sua misericórdia, e de noite a sua canção estará comigo: a oração ao Deus da minha vida. (Salmo 42: 8)
Vi que Deus me preparou esta viagem para curar minha alma. Não estava a fugir das provas, óbvio. Mas a gente cansa. Problema demais dá enfado e desânimo. Eu já estava me arrastando mesmo.
E, dessa forma, os dias foram passando. Lá no Rio, eu já desci do ônibus toda "brecada" - a gengiva tinha inflamado e a ileíte mostrou suas garras, de forma que não tive paz com meu intestino.
Diante disso, eu não via motivos para me alegrar - quem fica feliz sentindo dor o tempo todo? Mas, no meio disso, vi o Senhor operando nas minhas emoções. Pude orar, totalmente fragilizada e me sentindo incapaz de tudo, quando Deus começou a tratar comigo através da Sua Palavra. Citarei apenas os versículos que mais me marcaram.

Eu sou pobre e necessitado; mas o Senhor cuida de mim; Tu és o meu auxílio e o meu libertador (...). (Salmo 40: 17)
Não estejais inquietos por coisa alguma: antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplicas, com ação de graças. (Filipenses 4: 6)
(...) De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. (II Aos Coríntios 12: 9)
Diante disso, o que deveria eu temer?!

Se o Senhor, em Sua Palavra, me garantia que estava comigo, pra que eu deixaria a tristeza me vencer, como sempre? Pra que eu deixaria a depressão me fazer de montaria?!
Amado leitor, você me entende?
Deus permitiu que eu ficasse totalmente frágil, incapaz e solitária, para que assim eu compreendesse que minha força vem unicamente dEle.
Estava sem condições de confiar em ninguém, muito menos em mim mesma. E desse jeito o Senhor quis que eu ficasse, para que assim eu pudesse ouvi-lO.
Meus problemas não se foram. Mas o medo foi embora, junto com a angústia, a desconfiança e o desespero também. Foram tudo pro ralo! Aleluia!
Glória e graças eu dou ao Senhor, "porque ouviu a minha voz e a minha súplica, porque inclinou para mim os Seus ouvidos" (Salmo 116: 1, 2).
Não imagino o que o Senhor tem pra mim neste ano...
Por ora, continuarei à procura de emprego, estudando para concursos públicos, buscando cumprir o "Ide" do Senhor... Mas a Simoninha assustada de sempre não está mais aqui.
Hoje quem me olha, pode ver uma pequena mulher, jovem e ainda imatura, mas com fé e esperança em Deus reestruturadas e renovadas. Disposta a amar, a se doar, a fazer o bem, a querer mudar, a conquistar o caráter de Cristo para que possa realmente ser uma serva dEle. Uma serva de verdade, uma adoradora reverente, enfim!


E que venham os próximos meses de 2012!


"Se Cristo comigo vai... Eu irei!"



terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Testemunho de um ex-transexual: Walt Heyer

Peter Baklinski


Walt Heyer era um menininho crescendo na Califórnia em meados da década 1940, interessado em cowboys, carros e violões quando certo dia, a avó dele teve a imaginação estranha de que ele queria ser uma menina. Ela ingenuamente lhe fez um vestido roxo de baile, com fita de enfeite, que ele costumava usar quando a visitava.
De acordo com Walt, usar aquele vestido roxo com fita de enfeite desencadeou algo que o colocou numa longa trajetória de 35 anos que o levou a um vale escuro de “tormento, desilusão, mágoas e tristezas”. Sua confusão com sua identidade sexual o levou ao alcoolismo, vício de drogas e tentativa de suicídio.
No fim, Walt recorreria à “cirurgia de mudança de sexo” com vaginoplastia para fazê-lo se parecer como uma mulher, algo que ele veio a lamentar profundamente e que ele agora aconselha indivíduos com confusão sexual a evitar. “Ele (Deus) havia me criado como homem, do jeito que eu era, e nenhuma faca iria jamais mudar isso”, Walt disse para LifeSiteNews.com numa recente entrevista.

Envergonhado de Ser Homem

Em seu livro de 2006, “Trading my Sorrows” (Negociando minhas Tristezas), Walt relata que o vestido roxo foi apenas a primeira de muitas influências em sua vida que fizeram com que ele sentisse vergonha de ser homem. Houve o abuso sexual que ele sofreu nas mãos de seu tio que ele diz que fez com que ele sentisse vergonha de seus órgãos sexuais. Havia a austera disciplina de seu pai — praticamente indistinguível de abuso físico, diz ele — que fez com que ele se sentisse incapaz de ser o menino que seu pai queria que ele fosse.
Walt se lembra de nunca se sentir bem o suficiente para seus pais, nunca conseguir agradar a eles e nunca receber os elogios que ele muito desejava.
“O que eu desesperadamente queria era elogios dos meus pais pelas coisas que eu fazia muito bem, e encontrar meu próprio lugar ideal onde eu pudesse me expressar, desenvolver meus talentos e fazer algo de que eu gostasse”, explicou Walt em seu livro.
O menininho que não tinha nenhuma auto-estima começou a desprezar a si e a seu corpo. Walt começou a se consolar se vestindo como menina e guardando esse segredo de seus pais. Vestir-se como uma menina se tornou seu esconderijo onde ele se sentia a salvo da disciplina e conflitos dolorosos que seu pai e mãe lhe davam.

A Mulher Tirana Interior

Quando passou pela adolescência, Walt diz que a menina que estava dentro de sua cabeça foi ficando mais forte e exigia mais de seu tempo. Apesar do fato de que Walt adorava carros que chamavam a atenção e namorou mocinhas atraentes no colegial, não importava quanto ele se esforçasse, ele não conseguia expulsar a obsessão de se tornar uma mulher. Depois da escola secundária, Walt saiu da casa de seus pais e foi morar em sua própria casa, de modo que ele pudesse usar roupas de mulher na privacidade de seu próprio lar. Nessa altura, ele havia amontoado muitas roupas femininas, mas ainda sentia uma vergonha profunda de seu hábito secreto.
Walt acabou se casando, ficou rico e a partir de todas as aparências exteriores, estava vivendo o sonho americano. Ele continuava suas contínuas escapadas para o mundo de seu segredo de mulher.
Walt diz que estava vivendo três vidas diferentes de “homem de negócios bem-sucedido e beberrão, o quadro perfeito de um pai e marido amoroso e um travesti mulherzinha”. Contudo, por dentro, Walt estava experimentando desastre e desilusão. Tudo na vida dele começou a desmoronar.
Ele recorreu ao álcool como um mecanismo para lidar com seus problemas, mas isso só aumentou seu desejo de se tornar uma mulher. Ele diz que permitiu que a menina que estava dentro de sua cabeça se expressasse mais e mais à medida que ele desesperadamente tentava agarrar momentos de alívio do furioso mar de sofrimento e tristeza que estava sua vida.
No fim, Walt colocou todas as suas esperanças na cirurgia de sexo como a solução que faria seu sofrimento desaparecer permanentemente.

A Cirurgia

Primeiro, vieram os grandes peitos, implantados pela cirurgia plástica. Então, veio o procedimento que Walt mais lamenta, a transformação cirúrgica de seu órgão reprodutor masculino para a aparência de um órgão reprodutor feminino.
Walt havia esperado que o procedimento aliviasse sua “debilitante angústia psicológica” e fizesse cessar, uma vez por todas, o conflito que o havia atormentado desde sua infância. Mas para seu desânimo e grande tristeza, rearranjar seus órgãos sexuais e mudar sua aparência não efetuou a mudança correspondente em seu interior.
Depois da cirurgia, a mente de Walt se tornou um campo de batalha de pensamentos e desejos conflitantes que ele só poderia descrever como “agravantes, desoladores, deprimentes, contraditórios, distorcidos e imprevisíveis”.
Depois da cirurgia, cada dia que passava deixava mais claro para Walt que ele havia cometido um “erro imenso”. Seu vício à cocaína e ao álcool, numa tentativa de entorpecer o sofrimento emocional, só aumentou seu tormento, depressão e solidão.
Walt agora sabia que a faca do cirurgião e a amputação consequente não o haviam transformado de homem para mulher. Ele percebeu que a cirurgia era uma “fraude completa”. Ele sentia que não tinha escolha, senão viver uma vida como uma mulher cirúrgica, um “impostor”.

Tentativa de suicídio

Nesse ponto, ele chegou ao fundo do poço. A cirurgia havia destruído a identidade de Walt, sua família, seu círculo social e sua carreira. Ele estava sentindo que nada mais lhe restava, a não ser morrer. Walt, que estava se passando pelo nome de Laura Jensen, tentou atirar-se de cima de um prédio, mas foi impedido por um transeunte.
Sem ter onde morar e sem um centavo no bolso, o arruinado “transexual” teria terminado vivendo na rua se um bom samaritano não tivesse lhe dado um lugar para dormir numa garagem. Esse novo amigo incentivou Walt a frequentar as reuniões dos Alcoólatras Anônimos onde ele percebeu que precisava se conectar a uma “força mais elevada” se quisesse escapar da bagunça em que havia se metido.
Walt começou a compreender mais e mais que ele era verdadeiramente um homem, mas um homem que estava encoberto num “disfarce de mulher”.
“Eu estava muito consciente de que estava agora na lata de lixo da raça humana, uma vida desperdiçada e jogada fora, pervertida por minhas próprias escolhas. O álcool, as drogas e a cirurgia haviam me deixado inútil para qualquer um. Eu havia fracassado de forma desgraçada como o homem que Deus havia me criado para ser”.

Saindo do Vale da Escuridão

Com a ajuda de alguns amigos cristãos que ele havia descoberto recentemente, Walt começou uma jornada em direção à cura e à descoberta de sua verdadeira identidade como homem. Walt percebeu que a chave para ganhar a batalha que assolava dentro de si era a sobriedade. O lema e constante oração interior dele se tornaram: “Permaneça sóbrio — não importa o que aconteça — permaneça sóbrio”. Ele colocou de lado o álcool e se voltou para Jesus como uma fonte recém-encontrada de força.
Certa vez, durante um tempo de oração com seu psicólogo cristão, Walt diz que sentiu espiritualmente o Senhor, todo vestido de branco, que se aproximou dele com os braços estendidos, abraçou-o completamente e disse: “Agora você está para sempre a salvo comigo”. Foi nesse momento que Walt soube que encontraria a cura e a paz que ele desejava tão intensamente em Jesus.
Walt disse para LifeSiteNews numa entrevista que aqueles que estão passando por lutas com relação à sua identidade como homem ou mulher e acham que a operação de sexo é a solução “precisam ir a um psicólogo ou psiquiatra e iniciar uma terapia e cavar profundo para descobrir o que está provocando esse desejo, pois há alguma questão psicológica ou psiquiátrica obscura que não foi resolvida e que precisa ser investigada — quer seja abuso sexual, quer seja abuso físico ou quer seja uma questão de modelos na vida. Pode levar um ano investigar as questões profundas que estão ocorrendo e então, quando você faz essa investigação, você pode levar a pessoa a um ponto em que ela pode começar a entender seu sexo e começar a aceitar seu sexo e querer viver o sexo que Deus lhe deu”.
Agora, como um homem idoso, Walt crê que se pudesse voltar no tempo e dizer algumas palavras significativas para si como um homem mais jovem, ele orientaria o homem mais jovem a evitar a cirurgia de sexo, e descobrir a causa principal por trás do desejo pela cirurgia.  
Walt acredita que sua vida dá testemunho do poder da esperança, que nunca devemos desistir de alguém, não importa quantas vezes ele ou ela falhe ou quantas reviravoltas haja no caminho para a recuperação. Acima de tudo o mais, diz Walt, nunca devemos “subestimar o poder curador da oração e amor nas mãos do Senhor”.

Para entrar em contato com Walt Heyer:
E-mail: waltsbook@yahoo.com

***

*** Mais detalhes no Blog do Julio Severo ***

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Seu bebê tem síndrome de Down. Você o abortaria?

Julio Severo
Nenhum casal quer ganhar um bebê com doença. Mas o que fazer se nasce um bebê doente ou deficiente? Tratá-lo? Jogar fora como um objeto descartável?
Mais do que tratá-lo, a atitude mais humana seria amá-lo. E seria um amor contra-cultural, pois a cultura de hoje, profundamente consumista e hedonista, nos ordena rejeitar tudo o que atrapalha nossa vida de prazeres. Tudo: Filhos, cônjuges, casamento, Deus, etc.
Pr. Jânio Clímaco e seu filho João Pedro
Quase vinte anos atrás, um pastor presbiteriano me contou que um casal membro de sua igreja foi fazer exame pré-natal da esposa grávida. Ao verem que o bebê em gestação tinha a síndrome de Down, o médico prontamente aconselhou um aborto, sob o manto “sagrado” da discrição médica. O casal evangélico aceitou o “conselho” do médico.
O aborto não está legalizado no Brasil. Mas o “jeitinho brasileiro” consegue driblar até a ética médica. Com ou sem lei, dentro da privacidade de seu consultório, o médico pode fazer o que bem entender, pois só Deus o vê.
O casal evangélico saiu do consultório sem o “problema”, e continuou normalmente indo aos cultos e ouvindo as pregações, numa rotina de ouvir e não praticar.
Será que a consciência nunca lhes doeu? Não sei. Algumas mulheres relatam sofrimento e desgraças depois de um aborto, inclusive de um bebê deficiente. Leia o relato de Marie Ideson e de como o aborto de sua filha com síndrome de Down arruinou sua vida e destruiu seu casamento.
O pior não é quando membros de conseguem ocultamente se aproveitar da privacidade do consultório médico para matar seus filhos em gestação. O pior é quando um homem que se diz ensinador das coisas de Deus orienta publicamente o assassinato de bebês com síndrome de Down, concordando com a cultura que ter um bebê assim trará “sofrimento” ao casal. Caio Fábio, que já foi o maior pastor presbiteriano do Brasil, hoje está nessa posição, usando artifícios psiquiátricos a favor da cultura da morte, oferecendo suas soluções para tirar os “problemas” que atrapalham a vida.
Se a cultura da morte manda matar, os apóstatas dizem amém.
Se tivéssemos de descartar pessoas deficientes da nossa vida a fim de preservar nosso conforto, o que seria de um marido, ou esposa, ou filho já nascido anos que sofreu um acidente que exige o sacrifício de nossa vida?
Um pastor da Igreja da Vinha contou-me que, mesmo depois de convertido, ele era orgulhoso e duro. Mas tudo isso mudou quando nasceu seu filho com síndrome de Down, que exigiu dele toda a paciência do mundo. Essa criança lhe ensinou a dar amor, carinho e cuidados o dia inteiro, todos os dias. Como pastor, hoje ele é literalmente um “pastor”: ele cuida das ovelhas de sua igreja com toda a paciência e amor que aprendeu com seu filho deficiente.
Um bebê com síndrome de Down pode trazer bênçãos e transformações inesperadas.
Pr. Jânio Clímaco e seu filho João Pedro: carinho entre pai e filho
Em resposta ao artigo da mãe inglesa que, seguindo conselho médico, abortou a filha com síndrome de Down, Jânio Clímaco, pastor presbiteriano do Nordeste, fez contato comigo, dizendo:
Oi Júlio, Paz em Jesus.
Tenho frequentemente lido o que você coloca na internet e essa matéria veio como uma bomba no meu coração. Tenho um bebê com Down, como você mesmo pode me ver na foto com ele. Eu sou pastor presbiteriano em Recife, PE. Minha esposa é médica pneumologista. Temos outro filho, Lucas Emanuel, sem a síndrome que tem cinco anos e meio de idade, e João Pedro (carinhosamente chamado de John John) que tem dois anos, ele é portador de SD. Pois bem, descobrimos na gravidez que o nosso bebê nasceria com SD, com mais ou menos dois meses de gestação. Nunca nos passou na cabeça que deveríamos abortar. Recebemos indiretas de alguns amigos médicos, mas todos eles perceberam que isso era uma ofensa para nós.
Foi uma gravidez difícil, minha esposa quase morre e o bebê também, mas fomos até o fim pelo direito de nosso filho ter a vida. Pensávamos o seguinte: Se ele não fosse portador de SD agiríamos de que forma? Ficou fácil depois da clara resposta. Sempre entregamos tudo a Deus e confiamos nEle.
Ele era muito esperado e quando soubemos da SD choramos, lamentamos, mas entregamos a Deus porque Ele teria um plano maravilhoso para nos confiar uma criança como essa.
Hoje ele já tem dois aninhos completos agora em outubro passado e só nos trouxe alegria ao coração de seu pai, mãe e irmão. Ele é lindo (como você pode ver), doce e extremamente carinhoso. Ele é a alegria da casa e de nossa família. Não saberia viver sem ele hoje, confesso, mas ele tem Dono, somo apenas simples mordomos desse tesouro maravilhoso.  
João Pedro
Agradeço a Deus por ele existir em minha vida e não o troco por nenhuma criança sem SD neste universo. Tenho aprendido a cada dia a ser um ser humano melhor e a amar mais a Deus que da mesma forma me aceitou e me recebeu do jeito que eu sou. Na verdade, meu John John sempre será melhor do que eu, porque para entrar no céu tem que ser como uma criança. Confesso Júlio, como eu desejo ser assim quando me encontrar com o nosso Senhor Jesus quando as portas da eternidade se abrirem para mim.


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Extraído do Blog do Julio Severo

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O canário, o violão, a sogra, o Evangelho

Wander Carlos


O canário que eu tenho é bem simples. É um belga, amarelinho e muito cantador. Um dia eu estava na cidade de Nanuque, quando lá fui a uma igreja e me deram a oportunidade de cantar um hino. Assim como o meu belga, eu também gosto de cantar.
Após a canção, uma irmã, senhora da igreja me chamou e disse: irmão Wander, o irmão canta igual um canário belga. Eu glorifiquei a Deus e agradeci o elogio. Quando cheguei a B.H., o pastor Marcos, casado com minha sobrinha Claudia, me perguntou se eu não gostaria de ganhar um canário. Quando eu disse que sim, ele me trouxe exatamente um belga e logo ficamos amigos.



Quando eu coloco o som para tocar uma de minhas músicas, ele também canta comigo. Só com um detalhe: o meu belga é afinadíssimo em todas as notas musicais, enquanto eu, aleluia, pela bondade de Deus, vou me esforçando!  Estou aprendendo com ele. Ah! Preciso contar isso! Há uns meses atrás o meu belga ficou doente e não parava em cima do poleiro. Quando eu via, lá estava ele no chão da gaiola, debruço, de perninhas para cima. Parece que ele ficava tonto e enfraquecido. O primeiro sintoma foi parar de cantar. Ficou mudinho. Então eu orei por ele e pedi a Deus que não deixasse ele morrer, pelo menos agora e ainda por cima, na minha mão! Creio ter obtido de Deus a direção para levá-lo no doutor de aves, lá na UFMG, no campos da Pampulha quando lá o professor Edson  me deu toda atenção, fez um exame de fezes e mandou que eu desse um remédio para o canário, coisa que eu fiz com muita paciência, pois quase que ele não podia beber, pois estava muito fraco. Dando-lhe o remédio todos os dias , no biquinho, conforme prescrição médica e orando sempre pedindo ao Senhor que o abençoasse.
O nosso personagem belga, hoje, está lindo novamente e cantando com muito mais fervor. Glórias a Deus e obrigado doutor Edson e que Deus o abençoe com toda a sua família.


O violão que eu tenho é bem simples. Ele é de tamanho médio e de cor envernizada. Aliás, hoje ele é melhor, porque uma de minhas filhas trouxe para ela, dos Estados Unidos, um vilão beleza e perguntou se eu não gostaria de trocar com ela, pois , para ela, o mais simples era mais leve e tinha as cordas de nylon. Como “bom pai”  que sou, concordei em abençoá-la e então fizemos a troca. Ela ficou feliz e eu fiquei feliz e meio. O meu violão é o meu companheiro na composição dos hinos que o Senhor me dá. Com a ajuda dele eu tenho ânimo para dedilhar umas notas e compor vários hinos ao meu Deus. O meu violão sabe que eu não sei tocar muito bem, mas também eu não o coloco no ridículo de tocar em público, só mesmo nas quatro paredes do meu quarto. O violão da gente é o melhor que existe, não é mesmo? Posso desafiná-lo, posso arrebentar uma corda e ele não reclama e eu não preciso ficar me desculpando por algo que aconteceu ao violão, pois ele é meu! Você já pegou o violão de alguém? Você já percebeu que a pessoa te empresta com ressalvas, como se não querendo que você não pegasse? Pois é! Amo o meu violão. Ah! Se você quiser tocar no meu violão, pode viu? Deus os abençoe!



A sogra que eu tenho é bem simples. Ela é uma mulher de 1,65 metros de altura, cor clara, cabelos lisos e brancos e de pele enrugada, devido aos 91 anos de idade. A minha sogra é uma daquelas mulheres que a gente só encontra uma de 50 em 50 anos. Eu a conheci, quando eu comecei a namorar a filha dela, Jane, que hoje é a minha esposa amada. A minha sogra é uma mulher de muita fé em Deus. A fé dela é alicerçada na Palavra de Deus e é uma fé demonstrada também com as boas obras. O meu belga e o meu violão não têm um nome, mas a minha sogra tem um nome e eu quero apresentá-la a vocês, assim como ela mesma hoje fala:  Antônia Teixeira de Carvalho Bastos, com muita honra. Ela gosta de falar o nome todo e enfatizar o “com muita honra”. Quando eu conheci a minha sogra e os seus seis filhos, ela era uma mulher de poucas posses, mas trabalhadora e muito honesta. Ela nasceu na Cidade de Jequiri, próximo de Ponte nova. Aos 2 anos de idade a sua mãe morreu e então ela foi criada pelo pai, homem bravo, e no meio de muitos irmãos, numa pequena fazenda. Rapidamente percebeu o que era o sofrimento por não ter uma mãe por perto para ajudá-la no seu desenvolvimento de criança, adolescente e no preparo de uma jovem para enfrentar a vida. Ainda muito jovem, casou-se com o senhor Nilton, cujo apelido na cidade de São Pedro dos Ferros, era “ Melodia”. Quando mudaram para Ponte Nova, pegaram da pequena economia que tinham e montaram um pequeno restaurante na cidade, pois a dona Antônia sabia fazer uma comida gostosa como ninguém! As pessoas que vinham de outras cidades diziam: quero chegar em Ponte Nova e já ir direto para o restaurante de “Toninha”, apelido carinhoso que deram para ela, pois do ônibus, ainda na estrada, a gente sente o cheiro da sua comidinha. Aliás, eu Wander, seu genro, que o diga! Não só fui fisgado pela morena bonita como também pela comida da dona Antonia . Mas, as coisas se complicaram muito para a minha sogra com os seus 5 filhos, pois o “ seu” Melodia faleceu ainda muito novo. Agora, viúva e sem condições financeiras, veio para Belo Horizonte morar de aluguel e com os filhos sem trabalho.


Logo o mais velho arranjou um trabalho na rede ferroviária, de onde vinha o pequeno sustento para a família. Dona Antonia nunca desanimou, muito embora, de uma certa feita, ela conta, que  havia ganho uma bíblia de alguém e então ela lia mas não entendia. Um certo dia ela estava perguntando a Deus: "Senhor, como eu vou criar os meus filhos?" Apareceu perto dela uma pessoa e disse: "dona Antonia, o que a senhora tem na mão?". Ela respondeu: "uma bíblia". Então a pessoa lhe disse: "a bíblia é a Palavra de Deus. Ela fala". Então Antonia abriu a bíblia aleatoriamente e caiu na passagem de Mateus capítulo 6 “Os pássaros do céu não plantam nem semeiam, contudo o Senhor os sustenta… e tu, homem de pequena fé, buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas te serão acrescentadas”. Ela disse que a partir daquela hora tomou a decisão de buscar ao Senhor da bíblia. Procurou uma igreja evangélica, entregou sua vida para Jesus e daí tudo mudou. As dificuldades continuavam, mas ela agora sabia em quem confiar. Os filhos conseguiram trabalho e alguns estudaram e se formaram. Todos se casaram, exceto um, e ainda existe um solteiro que é de criação, tomado ainda quando era bebê. Foram tempos de lutas mas também de grandes vitórias. Hoje a minha sogra se encontra hospitalizada, mas a sua fé em Deus não está abalada, muito pelo contrário. Quer em casa assentada na sua poltrona, quer no hospital sob tratamento, o seu testemunho é maravilhoso e engrandece o nome do Senhor. Isto é para confirmar o Salmo 92.14,15, que diz:” Na velhice darão frutos, serão cheios de seiva e de verdor, para anunciar que o Senhor é reto: ele é a minha rocha, e nele não há injustiça”. Poderia falar muito mais desta serva de Deus, minha mãe, minha irmã e minha sogra, mas eu teria que ter muito tempo e espaço nesta tela, porque contaria, contaria e não conseguiria completar os feitos de Antonia Teixeira de Carvalho Bastos na terra dos viventes. O mais importante é que ela tem o Senhor na vida dela e testemunha deste Senhor para os seus filhos e para todos os que se aproximam dela. Que Deus nos abençoe e nos faça como esta mulher de fé, de bondade e de temor de Deus. Se vocês quiserem conhecer a irmã Antonia pessoalmente, fale conosco.



O evangelho que eu prego é bem simples. O evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, são as Boas Novas que Deus o Pai, nos trouxe na plenitude dos tempos, através do seu Filho amado, a saber: JESUS. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3: 16).
O profeta Isaias, conhecido como profeta Messiânico, já expunha as escrituras profetizando sobre o servo do Senhor, que haveria de vir. “Eis que o meu servo operará com prudência: será engrandecido, e elevado, e mui sublime. Como pasmaram muitos à vista dele, pois o seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua figura mais do que a dos outros filhos dos homens. Assim borrifará muitas nações, e os reis fecharão as suas bocas por causa dele; porque aquilo que não lhes foi anunciado verão, e aquilo que eles não ouviram entenderão (Isaías 52: 13-15).
Ao profeta foi revelado como haveria de vir o salvador do mundo. Não haveria pompa, muito pelo contrário: sofrimento, desprezo e humilhação por parte da humanidade seria o que receberia. Ele começa dizendo: “Quem deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor? Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz duma terra seca; não tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos. Era desprezado, e o mais indigno e entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos: e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomo sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades: o castigo que nos trás a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados…”

O evangelho é simples e de fácil compreensão por aqueles que realmente se arrependem dos seus pecados e entregam as suas vidas a Jesus, recebendo-o como seu Senhor e Salvador. Mas para aqueles que o rejeitam, na verdade só viverão na dúvida e não entenderão nada. As coisas espirituais se discernem espiritualmente, portanto, quem vive na carne e nas suas paixões, jamais entenderá as coisas de Deus. Por isso convido-os a aceitarem a Cristo Jesus , como Senhor e Salvador e então poderão desfrutar desta maravilhosa graça de Deus. Deus os abençoe!

“E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará… Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” ( João 8: 32, 36)
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3. 23,24)
“Porque pela graça sois salvos mediante a fé, em Cristo Jesus nosso Senhor. Não vem de obras, para que ninguém se glorie”.

Deus nos abençoe! Um fraterno abraço.
Pastor Wander Carlos 

sexta-feira, 25 de março de 2011

Pa(i)stor


Pr. Renilton Santos em uma de suas poses.

É sabido de alguns dos meus amigos aqui do blog que eu não conheci meu pai biológico.

Apeteceu-me a idéia de adotar um pai (as pessoas adotam filhos, então qual seria o problema de adotar um pai?). As carências emocionais que me espezinhavam acabaram por me levar a executar tal plano. Eu sentia grande necessidade de um pai. Foi algo até engraçado – eu precisava de um pai, mas fui me identificar com esse indivíduo depois de adulta.

Estava eu, curtindo minhas mazelas espirituais e emocionais quando, em 2007, fui assistir a um culto na Igreja de Deus da minha cidade e dei de cara com um pastor que não conhecia. Era a primeira vez que visitava a igreja, mas conhecia vários de seus membros porque (1) Mirabela é pequena do tamanho de um ovo e (2) eu ouvia o Programa de Bem com a Vida assiduamente e conhecia a voz do pastor anterior.

Passei por uma crise de identidade muito grande, devido à minha saída da CCB. Nesse período, um dos meus melhores conselheiros foi Jônatas, presbítero da igreja e colega de faculdade. Fazíamos cursos diferentes, mas íamos todos no mesmo ônibus. E através dele fiz amizade com o pastor novo, um latino quarentão, que se chama Renilton. Não necessariamente amizade, era mais um oi-tudobem-tchau.

A primeira impressão que tive foi de ver ali um homem sentimental e sanguíneo, de olhares muito diretos e riso fácil, hábil em brincadeiras de duplo sentido: isso é um pastor ou um professor de tango? Muito diferente dos outros pastores que conheci; todos contidos, sisudos.
Acostumei-me a freqüentar a IDAB aos fins de semana, escondida da minha família e das pessoas da cidade (coisa impossível, conforme descobri depois). Morava em Montes Claros, já fazia parte de outra denominação evangélica tradicional (tinha trauma de pentecostais!) e – sinceramente –, tinha medo da IDAB sim, principalmente quando algumas pessoas “entravam no reteté”. Só que foi esta a única igreja em que me adaptei. Mas isso é outra história, que merece outra postagem...

No início de 2008, eu já tinha me familiarizado mais com este pastor latino e sua esposa Maryhellen, mulher de voz mansa e delicada. Tínhamos contato pelas redes sociais e MSN; era o meu último período na faculdade, minha freqüência a Mirabela diminuiu. Quem me conhece já sabe que sou dada a amizades apaixonadas e arrebatadoras; brigo, choro por um(a) amigo(a), me desespero, enfim, vivo amizades intensas (minha amiga Jolieles que o diga)...

Fiz amizade com Renilton e Mary em poucos meses e me afeiçoei aos dois, apesar de não parecer no primeiro momento. Conversas longas via MSN, visitas “escondidas” aos cultos, tudo foi rendendo em mim o começo de um sentimento arrebatador de afeição pelo casal; mas por ele era um pouco singular. Comecei a ver naquele homem muita coisa que me atraía – a rápida disposição por ajudar, os conselhos quase sempre sábios... Era até engraçado; lembro-me de um dia em que lhe confessei um pecado pelo MSN durante uma de nossas conversas e me arrependi depois! Gente, esse cabra vai pensar o que de mim agora? Ele vai contar isso pra todo mundo. Pensava assim, e não vou esconder que fiquei desconfiando dele por uns dias, a cada vez que ouvia sua gargalhada.

A coisa apertou quando a irmã Mary anunciou a gravidez de sua 2ª criança. Foi uma notícia alegre e bem recebida por todos, inclusive por mim, claro. Então irracionalmente comecei a deixar florescer em mim o desejo de adoção, pois já conhecia o pastor Renilton suficientemente para saber que ele era uma pessoa abençoada, abençoadora e comprometida com Deus.
Chegou o mês de agosto. Eu acabara de me graduar, estava meio perdida ainda, 21 anos, sem emprego... No dia 16, fizemos uma viagem. A igreja estava enviando um obreiro para a cidade de Pintópolis e fomos todos para lá, em excursão. Haveria evangelismo durante o dia e a posse do obreiro à noite.

Foi um dia alegre. Conheci o rio São Francisco, lindo. Ri da cara dos demais irmãos que faziam caretas a cada tranco violento do velho ônibus. Conheci meu futuro marido (ou melhor, fiquei sabendo que ele existia), que estava neste trambolho ambulante ônibus conosco. Durante o almoço, estávamos todos embolados na salinha de uma escola assistindo um DVD da Lanna Holder, quando uma voz familiar se fez ouvir perto de mim.
– Curtindo a bóia, menina? (ou algo parecido).
Eu me surpreendi quando disse de volta: “Tenho algo sério pra te falar, pastor”.
Parecia o momento ideal. Vendo-o ali, rindo, de barriga cheia (pastores adoram comer, pelo que se vê), num ambiente tão inóspito e cheio de pessoas, fiz a proposta mais louca da minha vida.
– Pastor, nós dois nos damos tão bem. Você se importa comigo e eu me importo contigo. Quer ser meu pai?

A princípio, ele riu. Gracejou. Eu repeti a proposta e notei a expressão do rosto mudando rapidamente (Gelei na hora, querendo desfalar, dizer que não era aquilo. Ele vai pensar besteira. Sua esposa vai ter ciúmes. Vão cortar meu barato. Vou perder o carinho deles, e agora?).
Não me lembro muito bem de como foi o seu sim, só sei que algo dentro dele se comoveu. Surpreendendo-me. Parecia que eu tinha encontrado o homem que queria uma filha.

Diante de Deus, confesso que não tinha parado para pensar no pastor Renilton como pai – eu o sentia como pai, o meu paistor. Absurdo? Sim, totalmente absurdo. Eu mesma acho absurdo até hoje... Coisa louca esta, mas que me fez feliz!
De volta à nossa cidade, ele me procura com Mary. Gelei de novo. Ela não vai gostar dessa loucura, somos quase da mesma idade. Qual não foi minha surpresa ao ver que o pedido tinha despertado nela o melhor dos sentimentos e que ela também havia me acolhido no coração. Dessa forma, passei a fazer parte do coração dos dois.
E não há como negar que Deus me abençoou tremendamente após a adoção.
Não tenho palavras para exprimir isto: desde que adotei este pai, que veio com uma mãezona amorosa de brinde, até o meu relacionamento com o Senhor foi mudado. Passei a vivenciar o amor e cuidado de Deus de maneira mais forte.

Meu paistor, eu e a linda "tia" Mary.
Interessante – não vejo a Maryhellen como minha mãe, afinal tenho mãe e avó, que me amam também incondicionalmente. Ela faz parte do pacote paterno, sabe? Renilton não pode ser meu pai sem ela. E, por favor, não me peçam explicações disso; estou só expondo a experiência nova que Deus me deu para viver e desfrutar.
Mas o tempo não parou por causa disso, e muita coisa aconteceu quando comecei a namorar alguém que meu querido paistor não aceitava.
Mas esse assunto... Só para a próxima postagem.

Agradeço ao Senhor Jesus pelo imenso carinho que tem por mim, suprindo todas as minhas necessidades... Ele me deu oportunidade de comprovar isto: que, mesmo nos dias maus em que vivemos, ainda existem pastores que velam por nossas almas (Hebreus 13: 17).
E, no meu caso, mais que um pastor, um paizão!


Glória a Deus!


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Zé Valente (Rayssa & Ravel)

Graça e Paz a todos!
Feriado, tempo meio chuvoso aqui na minha Mirabela. Estava eu à toa na internet, quando ouvi a história do Zé Valente. Canção do lançamento da talentosa dupla Rayssa & Ravel.


Pensei comigo: "Uai, estão cantando a história do meu marido!".

Murilo, pra quem não sabe, é o marido que Deus me deu. Ele conheceu a Cristo há uns seis anos.
Antes, sua vida era igualzinha à do Zé Valente. Alcoólatra, adúltero, perigoso, andava armado e lutava caratê (aprendeu pelo simples prazer de espancar pessoas em boates ou festas). Sem contar que sua personalidade sempre foi muito forte - pense num homem de gênio difícil, é o meu...! Risos
Até que, um dia, como o Zé Valente, seus caminhos foram cercados e ele perdeu tudo o que tinha.
Ele perdeu família (vivia amigado com uma cabeleireira), dinheiro (passou sérias privações) e a razão (entrou em depressão severa).
E, em meio ao desespero, passou em frente a uma denominação evangélica e lá se entregou totalmente ao Senhor.

Enfim... É melhor você ler a letra da canção, junto com o vídeo.

O Zé Valente era o homem mais temido
Conhecido e respeitado por toda a região
Falava alto, ganhava tudo no grito
Até bandido fugia da sua mão
O Zé Valente não gostava de crente
Sua vontade era acabar com um por um
Dizia ele: "Ê, raça desembestada, eu implico, não enfrenta
Como é que eu vou brigar?"

Mas certo dia, chegou a hora
E o Zé Valente ficou na prova
Perdeu família, o dinheiro e a razão
E pra Igreja foi chorando aquele valentão

E o Zé Valente agora é crente
Só grita agora quando dá Glória
O velho homem ficou pra trás
Onde foi guerra agora reina a Paz

E o Zé Valente agora é crente
Foi perdoado, abençoado
Só fica bravo com o pecado
O Zé Valente por Deus foi amansado!

E hoje, estamos juntos...
Ele continua valente... para o bem.

Olhem a expressão do rosto do homem e verão que o eu falo sobre seu gênio é verdade...

Em nossa época de namoro, minha família dizia que ele tinha jeito de jagunço... Que maldade!
Sem mais comentários, aqui me despeço: Bom feriado a todos...!




domingo, 12 de setembro de 2010

Testemunho de conversão de Maurício Freire, ex-homossexual

A Paz de Cristo para todos!
Eu estava sem nada pra fazer (risos), navegando na web, quando aderi a uma comunidade no Orkut chamada "Morro, mas não nego a Jesus".
Estava lendo os tópicos quando cheguei a um intitulado "Meu testemunho, minha verdade". Li vorazmente e senti meu coração se alegrar ao ver que Deus continua, sim, transformando. É um relato de um jovem senhor que foi homossexual e hoje está liberto e transformado pelo Poder do Sangue de Jesus, casado e já tem um bebê. Entrei em contato com esse irmão, vi suas fotos e pensei comigo: "Satanás perdeu de novo, e vai continuar perdendo!"
Glória a Deus!
Segue, abaixo, o testemunho do irmão Maurício Freire, contado por ele mesmo. Senti uma comoção tremenda ao ler estas palavras. Que você, leitor, sinta o mesmo!

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Quando meus pais se casaram, eles eram evangélicos e pertenciam a uma denominação muito rígida e doutrinária. Pouco tempo depois do casamento, meu pai começou a beber e se desviou da igreja. A bebida o transformou em um homem violento e com isso minha mãe passou a sofrer maus tratos nas mãos dele. Não demorou muito e minha mãe também acabou se desviando da igreja.


Com o passar dos anos, os filhos foram nascendo e quando minha mãe ficou grávida de mim, ela já tinha cinco filhos e minha família estava passando por sérios problemas com meu pai, por esse motivo minha gestação foi rejeitada por minha mãe que não queria mais um filho pra sofrer. Nasci no dia 7 de maio de 1972. Nessa época minha família estava totalmente destruída e quando eu estava com dois anos meus pais se separaram por iniciativa da minha mãe, que não agüentava mais a vida que estava levando. Então, minha mãe alugou um quartinho num cortiço muito feio onde havia várias casas de um cômodo e um banheiro comunitário para todas as famílias. Ali fomos morar, minha mãe, eu, meu irmão (que é dois anos mais velho que eu) e duas irmãs. Meus dois irmãos mais velhos ficaram morando na casa da minha avó materna, com meu pai. Enquanto minha mãe trabalhava, minhas irmãs que eram um pouco mais velhas (uma tinha 10 e a outra 12 anos) tomavam conta de mim e do meu irmão.  Como eu não estava acostumado a ficar sem a minha mãe, eu chorava muito e por esse motivo passei a ser humilhado pelos vizinhos e também por meus irmãos que me chamavam de chorão, mocinha, florzinha, e até de bichinha, tudo isso aos três anos de idade. Sem saber, meus irmãos e até minha mãe deram legalidade para que alguns demônios começassem a atuar em minha vida. Também passei a ser vitima de violência doméstica, pois meus irmãos não sabiam como lidar com a minha situação e então me batiam muito e apanhar passou a fazer parte da minha rotina. Ali naquele lugar havia uma vizinha que sempre brigava com uma das minhas irmãs e eu era usado por ela para afrontar minha irmã, então ela me batia, me puxava pelos cabelos e me xingava com o objetivo de atingi-la. A mãe dessa vizinha era mãe de santo e um dia um encosto que se apoderou dela, disse que havia uma imagem de um demônio enterrada no meio da nossa casa e por isso a filha dela e minha irmã viviam em pé de guerra. Num sábado eu acordei e a casa estava cheia de gente e havia um grande buraco embaixo da mesa, minha mãe estava segurando uma imagem de um demônio chamado “tranca rua”. Esse demônio foi achado enterrado em nossa casa. Como naquele lugar só havia um banheiro para todas as famílias, era comum colocar as crianças para tomarem banho juntas e às vezes no meio do banho algum adulto entrava no banheiro alegando estar com pressa. Foi nessa época que eu passei a ser vitima de abuso sexual por parte de outros garotos e também adultos. Essa situação passou a ser comum em minha vida, pois sempre aparecia alguém para abusar de mim. Eu sempre ouvia das pessoas que abusavam de mim que aquele era um segredo e que se eu contasse pra alguém eu iria apanhar então eu sempre ficava quieto. Um dia, estávamos eu e minha mãe em casa quando eu falei algo que tinha ouvido durante um dos momentos que fui abusado, no mesmo instante minha mãe pegou um sapato e bateu na minha boca. Na hora eu associei aquela atitude com o que me falavam sobre contar pra alguém e apanhar, então eu me calei de vez. Talvez esse tenha sido um pedido de socorro, e ela não entendeu. Minha mãe sempre nos amou muito, porém ela achava que aquela era a forma correta de se educar uma criança. Quando eu estava com quatro anos, minhas irmãs começaram a trabalhar, e minha mãe passou a deixar meu irmão e eu na casa de uma senhora que cuidava de crianças. Naquela casa funcionava um centro de macumba e ali eu também fui vitima de abuso sexual e violência por parte dos filhos da dona da casa. Eu e meu irmão dormíamos no local onde eram feitos os rituais junto com mais dois meninos. Enquanto todas as crianças brincavam, eu e meu irmão passávamos boa parte do dia debruçados no muro perguntando para as pessoas que passavam na rua se aquele dia era sábado, porque era no sábado a tarde que minha mãe ia nos buscar para passarmos o final de semana com ela e com minhas irmãs. Sempre que alguém dizia que não era sábado e que ainda faltavam alguns dias para chegar o sábado, nós chorávamos muito. Eu vivi naquele lugar alguns dos piores dias da minha vida. Ficamos ali pouco tempo, pois uma das minhas irmãs logo saiu do trabalho e numa terça-feira passou para nos levar com ela. Meu coração parecia que ia explodir de tanta alegria. Pouco tempo depois meu irmão começou a estudar e minha situação ficou um pouco pior do que era, pois quando minha irmã ia levá-lo a escola eu ficava trancado em casa, sem comida e chorando ou ficava aos cuidados dos vizinhos que sempre me maltratavam.  Certo dia apareceu um rapaz em casa dizendo que era meio parente nosso, e suas visitas passaram a ser constantes. Ele conquistou a confiança da minha irmã e começou a se oferecer pra cuidar de mim enquanto minha irmã ia levar meu irmão à escola. Aproveitando-se que minha irmã sempre demorava muito pra voltar pra casa, ele também começou a abusar de mim e isso passou a acontecer com freqüência, muitas vezes ele nem esperava minha irmã voltar e me deixava sozinho. Quando nós nos mudamos daquele lugar, fomos morar justamente no mesmo quintal onde o tal rapaz morava. Ali tudo ficou mais fácil pra ele, pois agora éramos vizinhos de parede. Esse novo lugar já era um pouco melhor pra se morar, ali o quintal era cimentado e tinha 2 banheiros para as famílias. Logo que nos mudamos para esse lugar, minha mãe começou a freqüentar um centro de macumba de uma prima do meu pai e sempre que íamos lá, os demônios que se manifestavam ali diziam que eu era muito especial pra eles e nessa época eu acabei sendo consagrado a eles. Quando eu estava com sete anos, meus irmãos mais velhos vieram morar com a gente. No começo eu pensei que minha vida iria melhorar, pois eu teria a proteção deles, porém não foi bem isso que aconteceu, pois meu irmão mais velho que estava com dezenove anos já era um viciado no álcool e também havia se tornado muito violento. Nossos dias passaram a ser mais difíceis do que já eram. Passamos a apanhar do meu irmão por qualquer motivo e nunca podíamos falar nada para a minha mãe ou para meu outro irmão, caso contrário apanhávamos mais ainda no dia seguinte. Quando minha irmã mais nova completou quatorze anos, ela fugiu de casa para se casar, pois não agüentava mais tanto sofrimento e minha mãe temendo o pior a emancipou e ela se casou em janeiro de 1979. Com doze anos eu já sabia no que eu havia me tornado, já tinha noção do certo e do errado, pois nessa época eu comecei a procurar outros homens para ter relação, sabia que eu era um homossexual, só não admitia por medo, já que sempre ouvia falar muito mal dos homossexuais. Foi nessa época também que um senhor me pediu para ajudá-lo a carregar alguns pacotes até sua casa e quando chegamos lá ele tentou me estuprar. Fui salvo por dois "amigos" que desconfiaram das intenções deste senhor, e nos seguiram e bem na hora apareceram na janela me chamando. Um deles espalhou o que viu no bairro e mais uma vez eu passei a ser motivo de gozação das pessoas. A humilhação foi tanta que eu passei a freqüentar um bairro vizinho, onde arrumei uma namoradinha só para entrar pra turma. Aos treze anos eu comecei a trabalhar em uma empresa que sempre prestava alguns serviços no centro de São Paulo e ali eu comecei a ter contato com outros homossexuais e comecei a achar tudo muito normal. Um tempo depois ingressei no ramo da moda onde comecei a participar de desfiles como modelo. Quando eu estava com quinze anos, minha mãe se mudou de onde nós morávamos e foi morar com meus irmãos e minha irmã na zona leste e eu fui morar no centro da cidade. Abandonei meus estudos e aluguei um quarto no apartamento de um senhor que também alugava vagas para garotos de programa. Fiquei ali durante alguns meses e foi tempo suficiente para eu ter contato com a podridão do mundo homossexual. Agora eu estava exatamente onde os demônios que atuavam na minha vida queriam.  Comecei a me prostituir nas ruas do centro e às vezes até anunciava em jornais. Minha família e meus amigos não sabiam de nada da minha vida, eles sempre me viam como um bom rapaz, um trabalhador responsável, eu sempre ajudava minha família e mesmo fazendo programas, eu ainda fazia uns bicos como modelo para justificar o dinheiro que entrava e também as minhas saídas. Eu era também muito mentiroso, afinal eu tinha que viver inventando histórias para justificar a vida que levava. Com o tempo eu passei a usar drogas e a beber com meus amigos, mas isso era só para fazer parte da turma e não ser rejeitado, pois havia em mim um espírito de rejeição que atuava nesse sentido. Esse espírito de rejeição também me fazia ser soberbo e com isso eu comecei a desprezar meus irmãos e a me sentir superior a eles. Comecei a me achar melhor do que todo mundo. Eu era o mais bonito, o mais legal, o mais inteligente, enfim o mais tudo. Tinha mania de perfeição e tratava meus irmãos e alguns amigos com certa inferioridade e com arrogância. Aos dezessete anos tive problemas no lugar onde estava morando e então fui passar um tempo na casa da minha mãe. No período que estive lá, meu pai voltou a morar com minha mãe, pois não tinha onde morar e estava vivendo como um mendigo, sempre jogado de um lado para o outro. Durante o tempo em que fiquei na casa da minha mãe, eu briguei muito com meu pai e com meu irmão mais velho, o que me levou a ir embora outra vez. Então em 1990 eu voltei a morar no centro e pouco tempo depois meu pai abandou o vicio do álcool. Aos dezenove anos fui convidado para posar nu para uma revista direcionada ao público homossexual e passei a usar isso como um trunfo a meu favor para vender minha imagem como garoto de programa. Tive vários relacionamentos homossexuais, porém nunca fui feliz em nenhum deles, sempre me faltava algo. Era como se a pessoa com quem eu me relacionava levasse um pedaço de mim depois da relação. Eu me envolvia com outros homens e muitas vezes depois da relação eu não queria vê-los na minha frente. Não conseguia entender o que se passava comigo, algumas vezes eu até humilhava a pessoa depois da relação.  Me envolvi com homens casados, com homens famosos, com religiosos, enfim eu não perdia a oportunidade de ter sexo. Um tempo depois que posei nu, resolvi dar um tempo com a prostituição, pois comecei a receber convites para participar de muitos eventos e achei que não seria legal se as pessoas soubessem da vida que eu levava, então em 1992 eu comecei a trabalhar numa companhia de teatro. Nessa companhia eu também me envolvi com macumba e sempre estava no meio de sessões que eram realizadas na casa de algumas pessoas que trabalhavam lá. Por várias vezes eu me consagrei a pombas gírias, usando seus perfumes e objetos que elas têm como marca na vida de pessoas que as seguem. Em 1998 eu saí da companhia de teatro e comecei a trabalhar em emissoras de TV. Nessa faze da minha vida eu fiz amizade com muita gente famosa e trabalhei como produtor artístico de grupos musicais. Fui produtor de TV, fiz assessoria para artistas, trabalhei em gravadora e de vez em quando ainda me prostituía quando a situação apertava. No final de 1999 eu me envolvi com um homem bem mais velho que eu e fui morar com ele em sua casa. Eu tinha repulsa daquele homem, porém ele me bancava e por um tempo eu o aturei. Em fevereiro de 2000 eu fui para a Europa com esse homem e pensei seriamente em abandoná-lo lá. Em março do mesmo ano eu resolvi dar um fim nesse relacionamento e por isso passei a sofrer uma perseguição por parte desse homem. Comecei a não ver sentido na minha vida e passei a perceber que algo estava errado, afinal eu era infeliz, tinha vários "amigos" e me sentia sempre só, vivia em festas badaladas e chiques onde muitas pessoas dariam tudo pra estar e quando eu chegava em casa a solidão e o vazio tomavam conta de mim. Numa noite que cheguei em casa depois de uma balada, comecei a falar com Deus e disse que se aquela era a vida que Ele tinha pra mim, então que Ele me ajudasse a ser feliz, porque eu não era. Pedi a Ele uma pessoa que me amasse de verdade e que eu também a amasse sem interesses, agora se aquela vida não fosse o que Ele queria pra mim, então que Ele mudasse minha história. Passei a conversar com Deus todas as noites pedindo a mesma coisa. No mês de outubro do mesmo ano eu fui chamado pra participar da gravação de um comercial na praia e no meio dos modelos tinha um rapaz que chamava a atenção das pessoas por ser muito bonito. Num momento de pausa eu me aproximei desse rapaz e começamos a conversar. Perguntei o nome dele e ele me disse que se chamava Luiz, e uma das primeiras coisas que ele me perguntou foi se um amigo que estava comigo era meu namorado. Achei estranha a pergunta, mas disse a ele que não, que era apenas um amigo, então ele disse ainda bem porque você é um cara bonito e me perguntou se eu era gay, fiquei meio sem jeito, mas respondi que sim. Então ele olhou nos meus olhos e disse: “Meu sai fora dessa, Jesus te ama e Ele não aprova essa vida não”. Confesso que fiquei meio chocado quando ele me falou aquilo, afinal eu achava que ele estava me paquerando. Mas ele não se intimidou e continuo falando de Jesus. No começo cheguei a pensar que ele estava pecando, pois falava de Jesus com muita intimidade e eu sempre ouvia falar que Jesus não gostava disso e não aprovava aquilo e que Jesus castigava, mas ele me falou de Jesus como se fosse o melhor amigo dele, então eu me interessei por esse Jesus. Mesmo sabendo que eu era homossexual o Luiz se tornou meu melhor amigo e ele não perdia a oportunidade de me falar do amor que Jesus tinha pela minha vida. Por várias vezes ele me convidou pra ir à igreja com ele, mas eu nunca ia, sempre arrumava uma desculpa e eu sempre o convidava para ir às festas que eu organizava e ele ia. Algumas vezes eu arrumei trabalhos de modelo para ele e ele acabou se desviando da igreja, mas não deixou em momento algum de falar de Jesus pra mim. Sem que ninguém soubesse, eu visitei algumas igrejas, mas não me senti bem em nenhuma, parecia que o meu caso não tinha jeito e eu já estava conformado com minha situação, achava mesmo que Deus tinha me criado homossexual. Em junho de 2003 eu acompanhei a parada do orgulho gay de São Paulo e no trajeto eu vi coisas que me fizeram ter vergonha do que eu era, então mais uma vez eu cheguei em casa muito chateado e disse pra Deus que eu não queria mais aquela vida e pedi a Ele em nome de Jesus que me desse algum sinal de que aquela não era a vida que Ele queria pra mim. No mesmo mês eu fui visitar meus pais na cidade de Indaiatuba no interior de São Paulo e num domingo eu estava limpando um terreno que nós tínhamos, quando um vizinho chamado Saulo e que mora em frente a esse terreno se aproximou e começou a me contar o testemunho de um Pastor que tinha sido um travesti, quando ele começou a falar achei que era mais um historia de crente, mas quando ele contou alguns detalhes eu percebi que conhecia o tal Pastor da época que ele era travesti, não tive dúvidas, cheguei em casa e disse pra Deus que se ele tinha feito aquilo na vida da Paulete (esse era o nome do Pastor quando ele era travesti) então o meu caso era mais simples, porque eu não era um travesti. Em novembro eu acompanhei um amigo meu a uma reunião de negócios e durante essa reunião surgiu o assunto igreja, não sei por que, mas me senti muito atraído por esse assunto naquele dia. No final do mês eu fui pra Dourados no Mato grosso do Sul para dar aulas para modelos e em janeiro de 2004 eu voltei a São Paulo com uma modelo para acompanharmos os eventos de moda e nesse período, nós ficamos hospedados no apartamento desse amigo que havia me levado a reunião e ele me falou que estava freqüentando uma igreja muito boa. Então eu disse a ele que a igreja devia ser boa mesmo ou então que deveria ter alguém muito interessante lá pra ele estar freqüentando. A convite desse amigo eu fui conhecer a igreja e quando eu entrei lá o grupo de louvor estava cantando o louvor PRECISO DE TI, e Deus falou tanto comigo através desse louvor que eu sai dali maravilhado com o que tinha ouvido. No dia seguinte eu encontrei o Luiz e contei pra ele que tinha ido à igreja e falei também do louvor e da maneira como fui tocado. O Luiz ficou tão feliz com o que falei e pra minha surpresa ele tinha um CD com aquele louvor no carro e colocou pra nós ouvirmos, mais uma vez fiquei encantado com o louvor, nunca tinha ouvido nada tão lindo. No domingo seguinte, dia 15 de fevereiro. Fui novamente à igreja e de novo o grupo de louvor cantou PRECISO DE TI, senti claramente que aquilo era pra mim e no final do culto quando o Pastor Walter Brunelli fez o apelo eu não tive dúvidas, levantei minha mão direita e aceitei Jesus como meu Único e Suficiente Salvador. Não me lembro de ter tido tanta certeza de algo como tive aquele dia. Meu amigo Luiz nem acreditou quando soube do acontecido, ele ficou muito feliz e nesse dia eu tive a certeza de que ele era mesmo meu amigo e que Deus o tinha colocado em meu caminho. No final de semana seguinte eu tive que voltar pra Dourados, pois iria começar o meu curso para modelos. E lá eu tive um comportamento pior do que antes. Parecia que eu tinha me transformado em um ninfomaníaco e só pensava em sexo. Fazia as minhas barbarias e ainda dizia para as pessoas que eu era crente. Na verdade eu não havia me convertido e sim me convencido. Fiquei no Mato Grosso do Sul dando aulas em algumas cidades durante um ano e em dezembro de 2004 eu voltei a São Paulo.  Logo que cheguei a São Paulo fui para o interior passar uns tempos na casa dos meus pais e decidir o que faria da minha vida, foi então que no dia 2 de janeiro de 2005 eu recebi um telefonema da mãe de uma das minhas alunas que estava trabalhando para uma agência de modelos no Rio de Janeiro por indicação minha. No telefonema ela me relatou alguns absurdos que estavam acontecendo lá com todos os meus alunos e me pediu para trazê-los para São Paulo.  Apesar da vida que eu levava, nunca desrespeitei nenhum de meus alunos, pelo contrário eu sempre os protegia e os alertava sobre a exploração sexual no meio artístico, por esse motivo eu era muito querido por eles. Além do mais eles nunca souberam nada da minha vida, pois eu mentia muito bem. Com a ajuda de um amigo eu consegui alugar 2 apartamentos em um Flat no centro e trouxe meus alunos que estavam no Rio para morarem aqui, então coloquei algumas meninas em um apto, os meninos em outro e duas meninas ficaram com a mãe de uma delas em outro apto que ela comprou no mesmo prédio.  No dia 8 de fevereiro eu saí de casa com a intenção de acompanhar uma banda de carnaval que sairia desfilando pelo centro de São Paulo. Nessa banda acontece de tudo o que não presta: sexo, drogas, bebidas, prostituição e vandalismo dos mais absurdos. Mas naquele dia Deus tocou em meu coração e eu acabei ligando na casa do irmão Alaim, que eu havia conhecido um ano antes na igreja. Ele não estava em casa e quem me atendeu foi a esposa dele, então eu perguntei a ela se iria ter culto na igreja aquele dia já que era uma terça-feira de carnaval e ela disse que sim, então confirmei o endereço com ela e fui até a igreja. Quando cheguei lá fiquei muito feliz, pois fui muito bem recebido e uma das irmãs ainda perguntou do meu amigo que havia me levado lá um ano atrás. Achei aquilo muito legal, afinal eu só havia ido àquela igreja 2 vezes e depois não apareci mais. Me senti amado naquele dia, mas um amor verdadeiro. Depois do culto fui conversar com o Pastor e contei a ele um pouco da minha história, mas não falei nada sobre a minha homossexualidade, pois fiquei com medo.  Na mesma semana eu encontrei o meu amigo Luiz e pra minha alegria e honra e glória de Deus ele havia voltado pros caminhos do Senhor e parte de sua família também havia se convertido. Passei a freqüentar todos os cultos, larguei aquela vida mundana de pecados e comecei a me dedicar às atividades da igreja. Um dia eu comecei a sentir uma dor muito forte nas minhas costas e fui conversar com o Pastor a respeito dessa dor, então ele me disse que sabia o porquê da dor, mas que ainda não poderia me falar sobre o que se tratava, ai ele me pediu pra eu meditar nos capítulos 1 e 6 de ROMANOS. Fiz o que ele me pediu e comecei a entender o porquê da dor. Alguns dias depois eu procurei o Pastor Ricardo que é líder dos jovens e contei pra ele um pouco da minha historia com alguns detalhes, inclusive sobre minha homossexualidade e disse a ele que eu estava liberto. Achei que ele fosse me colocar pra correr dali, afinal de contas se no mundo eu já não era bem aceito, imaginei que numa igreja Assembléia de Deus eu fosse ser escorraçado. Mas aconteceu o contrário, ele segurou em minhas mãos, disse que estava muito feliz com a minha libertação e com minha atitude e orou por mim. Depois dessa confissão o Pr. Walter disse que já podia me falar o porquê daquela dor nas costas e me revelou que eu havia sido liberto de um espírito maligno (pomba gíria) que me levava a agir da forma como eu agia, disse que esse espírito maligno foi arrancado das minhas costas e quando isso aconteceu ele me feriu espiritualmente. Não tive dúvidas da minha libertação e Deus abençoou muito a minha vida quando eu me firmei na igreja e nos caminhos dEle.  Já fazia algum tempo que eu estava desempregado e sem registro em carteira, mas Deus supriu todas as minhas necessidades e sempre que eu pensava que ia passar algum aperto financeiro, Deus usava algum irmão da igreja e até mesmo gente de fora pra me abençoar. Não demorou muito e todos os meus alunos (eram oito no total) que moravam comigo também aceitaram a Jesus em suas vidas. Minha casa se transformou num paraíso, só se ouvia louvores o dia todo e só se fala de Deus. Em junho do mesmo ano Deus abriu uma grande porta de trabalho pra mim e Ele tem me honrado e me abençoado todos os dias nesse trabalho, a ponto das pessoas que trabalham comigo sempre me perguntarem o que eu tenho de tão especial. Em agosto de 2006 Deus nos deu a oportunidade de gravarmos o 1º CD e o DVD da nossa igreja nesse lugar onde eu trabalho que é um lindo teatro, e esse mesmo teatro foi o lugar que Deus escolheu para me abençoar com o meu casamento. Me casei em 12 de maio de 2007 com uma verdadeira serva de Deus num teatro onde muitos artistas sonham em se casar, mas Deus só abriu essa porta pra mim. Meu casamento estava uma benção, mas ainda sentia que alguma coisa não estava muito bem, então em outubro de 2008 eu fui a um retiro espiritual, onde passei por mais um processo de libertação e também onde foram reveladas a mim as maldições que estavam na minha vida desde o ventre da minha mãe. Hoje estou totalmente liberto, sou um homem feliz, bem casado, pai de uma linda menina e servo de um Deus que é fiel a quem o busca de verdade. Para cada dia em que eu vivi na vergonha, o Senhor tem me dado dupla honra. Hoje eu e minha esposa Erika estamos vivendo as promessas de Deus para nossas vidas. Sei que o melhor de Deus ainda está por vir, por isso agradeço a Deus todos os dias por tudo o que ele tem feito em minha vida. Meu passado embora seja vergonhoso, hoje serve para eu honrar e glorificar o nome do Senhor e também mostrar para as pessoas que Deus é maravilhoso e que Ele jamais desampara aqueles que o buscam com sinceridade.  A Deus sejam dadas todas as glórias pela transformação da minha vida.

Maurício Freire
Cel: 11- 83802682
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