O primeiro selo postal, ‘Penny Black’, surgiu na Inglaterra em 6 de maio de 1840, e a ideia foi de Sir Rowland Hill, membro do Parlamento do Reino Unido. Antes da criação do selo as encomendas eram pagas pelo destinatário o que resultou em muitas devoluções e prejuízos, com a criação do selo a tarifa é paga pelo remetente, exceto algumas transações comerciais modernas. O 3º selo emitido no mundo, foi o brasileiro ‘Olho de Boi’, em duas séries somando mais de 2 milhões, e com valores diferenciados. A palavra “selo” é muito usada na Bíblia, de inicio não propriamente uma estampilha, mas um carimbo ou marca oficial que indicava propriedade individual ou pagamento de imposto governamental. Os reis costumavam “selar” com seu anel uma escritura ou lei, como garantia de cumprimento da mesma e obediência dos seus súditos. Selo lembra carta, uma palavra do latim ‘charta’, do grego ‘khartes’, folha de papiro, provavelmente de origem egípcia; mas a palavra ‘carta’ deriva do verbo grego ‘epistellein’ [epistola], que significa ‘mandar, enviar’. “Correio” é outra palavra interessante para nossa meditação. Vem do Latim currere, “deslocar-se com pressa, correr”, que era a forma de fazer as cartas chegarem mais cedo na época do correio a cavalo ou de veleiro. Por fim, correspondência vem de uma raiz Indo-Europeia, “co-responder”, afiançar, atender a um chamado; e, “Comunicação” e “Noticia”, do latim ‘communicatio’, repartir, distribuir.
Todas estas considerações ajudam-nos a entender melhor as palavras de Paulo aos Efésios; quando diz que fomos “selados com o Espírito Santo da promessa” quando cremos em Cristo e aceitamos a palavra da verdade; e não como se convencionou dizer que o crente é ‘selado’ quando fala em novas línguas (Ef 1:13, 14) O texto fala que este ‘selo’ é o “penhor”; depósito, entrada, pagamento inicial. A presença do Espírito Santo é a garantia que Deus nos dá de que a nossa salvação será consumada. Doutra maneira, os que não falassem línguas não teriam essa garantia, e Paulo teria sido infeliz ao recomendar que busquemos antes o dom de profetizar que o dom de línguas. Todo aquele que creu em Cristo, para a salvação, recebeu este ‘selo’, e passa a ser a carta de Deus aos homens, portadores de Sua mensagem; e deve “currere” pela urgência da hora. Que privilégio e bênção!
Imagino como o testemunho de Estêvão foi relevante para a conversão de Paulo. Ele, que vivia a serviço do Deus "olho por olho e dente por dente". Ver Estêvão, em sua última súplica, pedir o perdão de Deus aos que lhe matavam. Como isto já devia estar transtornando suas convicções. Mas que Jesus era este, que ensinou aos seus discípulos que eles atrairiam outros a sua fé, sem lutas, sem socos, sem gritos ou imposição. Interessante notar que no momento do seu encontro com Deus, na estrada de Damasco, ao ser barrado por aquela voz e luz, ele imediatamente passa a chamar Jesus de Senhor, sem indagações nem dúvidas, o que nos daria base para presumir o que discorremos acima sobre a influência de Estêvão a sua conversão. Imediatamente, sua segunda pergunta foi: Que queres que eu faça? Aqui vemos a predisposição em obedecer prontamente! Se humilha, deixando-se ser guiado por outros. Vai até a casa designada e fica em contrição completa, em jejum e oração, imagino que refletindo todas as mortes e assassinatos daqueles que serviam a Jesus, assassinatos ora presenciados, ora por ele executados. Cego, completamente vulnerável, talvez aguardando sua própria condenação, cuja consciência e religiosidade prévia diziam que devia ser "vida por vida", logo, que a sua, por aquilo que ele mesmo cria, deveria ser ceifada em razão dos seus atos. Esperando por quem? Justo por um discípulo de Jesus, alguém que provavelmente poderia ser mais uma vítima sua no futuro, para que lhe restaurasse a visão. Melhor ficasse cego, imagino que talvez pensou, do que de repente observar alguém parente de alguém que matei. Para que a restauração da vista? A do apóstolo foi para enxergar a beleza do evangelho de Jesus, que culmina num ato de misericórdia de Deus justamente através de alguém que humanamente e pela própria lei a que Paulo havia se devotado a vida inteira, deveria matá-lo, o que não acontece, somente por intervenção divina, que mandou a Ananias recolher seu preconceito, raiva (talvez existente) e estender a mão de misericórdia. Outra coisa... Porque o próprio Jesus, assim como o cegou, não diretamente o curou também? Penso que justamente para que fique muito, muito claro, algo que só a Deus pertence: a punição de um homem por seus pecados, esta unicamente pelas mãos limpas, santas e justas de Deus. Da parte da igreja, a que lhe cabe, estender a mão de perdão e reconciliação a todo e qualquer a quem Deus em sua soberania resolver chamar de filho.
Podem parecer dois termos antagônicos, principalmente para o conceito de liberdade que geralmente ouvimos. Lei e liberdade. Muitas vezes, alguns têm colocado a lei como algo que restringe a liberdade. Discordo. A lei restringe o operar das vontades, dando-lhes o momento certo de serem satisfeitas ou então proibindo que sejam operadas. Isso é de simples constatação.
Imaginemos que não houvesse leis de trânsito, o semáforo especificamente. Como se resolveriam os grandes cruzamentos? Baseado na solidariedade humana? Impossível. Num simples cruzamento de trânsito, temos vários interesses em conflito: o motorista do ônibus quer terminar logo sua viagem, o empregado atrasado ou quase a se atrasar quer chegar logo ao serviço, o taxista com um passageiro super apressado, a ambulância com um doente ou ferido necessitando de socorro etc. Nem sempre eles estarão seguindo o mesmo fluxo, logo terão de ceder a vez. Fá-lo-iam todos seguindo simplesmente os ditames de sua consciência?
O simples semáforo restringe a vontade que todos têm de chegar o mais rápido possível a um determinado destino. Ninguém em sã consciência reclama do inventor do semáforo. Graças a esse mecanismo, é possível pôr ordem no fluxo, e todos conhecemos ao menos um caso em que o desrespeito a essa “lei” tenha gerado graves conseqüências.
A lei vem garantir que haja liberdade, que as pessoas não fiquem reféns da própria vontade ou sejam prejudicadas pelas vontades de outrem. Sem lei, não há essa ordem. O que dizer, porém, da lei de Deus?
A lei de Deus tem a mesma função de controlar o exercício das vontades. Nos Dez Mandamentos, escritos pelo dedo de Deus – portanto é Ele Seu autor –, encontramos oito mandamentos negativos. “Não” farás isso ou aquilo. Esse é um claro sinal de que a lei veio restringir as más vontades do homem. Para haver então mandamentos restritivos, era necessário haver algo no homem que, de uma forma ou de outra, o fizesse ir naturalmente contra o que diz a lei. Não houvesse uma predisposição ao pecado, não haveria necessidade de dizer “não farás” isso ou aquilo. O pecado nem precisaria ser nomeado. Por isso está escrito: “...a força do pecado é a lei” (I Coríntios 15: 56).
É a lei, pois, pecado? “De modo nenhum” (Romanos 7: 7). A mera exclusão ou inclusão da lei na vida de alguém não o faz perfeito ou sem pecado perante Deus. Como dito anteriormente, a lei restringe a operação da vontade, faz claro que operar toda a vontade que se tem, a todo momento e algumas a momento algum, não é correto. Contudo, isso não tira do coração do homem a vontade em si. E, perante Deus, maus pensamentos são tão ruins quanto más ações (Mateus 5:28).
Na nossa relação com Deus, a lei por si não nos garante a liberdade. Aquele que sonda todas as ações, também sonda os corações (as intenções). Alguém que tenha conhecimento da lei divina e não cometa as suas proibições, no entanto, viva a alimentar no seu coração o que lhe é contrário, não está em nenhuma vantagem sobre aqueles que praticam o pecado. É ele mesmo um igual praticante.
Como pode então um homem cumprir a lei de Deus? Alguém poderá logicamente perguntar. Outra pessoa poderá sabiamente responder: “Só morrendo!”. Sim. Somente morrendo.
Há duas comparações bíblicas para o homem que não crê em Jesus Cristo como seu Único e Suficiente Salvador e, fatalmente, não obedece à lei de Deus: Mortos ou Escravos do pecado (Efésios 2: 1; Romanos 6: 20). Mortos não ouvem, mortos não expressam vontade, mortos não podem decidir. Mortos no pecado, separados de Deus, igualmente não podem nada daquilo. É necessário que haja vivificação. Essa é a vivificação prometida por Cristo desde já, essa é a água prometida por Ele, que dá vida e nunca mais nos deixa sedentos (João 4: 14; Colossenses 2: 13). A partir dessa vivificação, é inevitável uma morte para o pecado (Romanos 6: 2 e 11).
A morte para o pecado e vida para Deus é a mesma situação da libertação do escravo do pecado que agora é, pela fé em Cristo, um servo de Deus. Isso não faz da pessoa um ser perfeito instantaneamente, mas não é possível viver em ambas as situações (ser escravo do pecado e servo de Deus, pois é “impossível servir a dois senhores” Mateus 6: 24).
Deus, em Sua infinita sabedoria a amor, concedeu os Dez Mandamentos após a saída do Seu povo da condição de escravos, na qual passou cerca de 430 anos no Egito. Embora a lei sempre tenha sido vigente, pois todas as suas infrações sempre foram pecados, e Abraão, pai daquele povo, recebeu testemunho do próprio Deus que “guardara Suas leis, preceitos e estatutos” (Gênesis 26: 5), essa semente de Abraão não poderia obedecer a Deus como escravos no Egito. Por essa razão, a lei lhes foi revelada quando saíram dessa degradante condição.
Assim também sucede hoje ao homem. Não há poder no homem para que decida obedecer a Deus, é necessário que o Senhor providencie a sua “saída do Egito”. E ela foi providenciada. O Cordeiro pascal já foi morto, o preço das transgressões à lei já foi pago. Portanto, aquele a quem o Espírito Santo tem dado a entender, já compreende que Jesus Cristo é o meio pelo qual o homem pode ser livre, pois Ele mesmo é “o caminho (a Deus), e a verdade (que liberta) e a vida (eterna)” (João 14: 6); a Verdade que liberta (João 8: 32), o próprio Jesus.
Somente os libertados por Jesus podem cumprir o que diz o apóstolo Tiago: “Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecidiço, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.” (Tiago 1: 25).
E não somos libertados em vão. Tal como a saída do Egito foi necessária para que o povo tivesse clara a lei de Deus, escrita em tábuas de pedras por Ele mesmo (Êxodo 31: 18), assim também a nossa saída da condição de escravos, pela Graça de Jesus, é necessária para que tenhamos escrita, em nossos corações pelo Espírito Santo, a lei de Deus (Jeremias 31: 33; Hebreus 8: 10).
O propósito de Deus em salvar o homem é torná-lo novamente e integralmente Sua imagem, conforme Sua semelhança (Gênesis 1: 26). Para tanto, é necessário criar um novo homem, nascido de novo que, por Deus, é criado “em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4: 24).
Alguém imagina algo que seja justo e santo sem a lei? A própria lei é “santa e o mandamento é santo, e justo e bom” (Romanos 7: 12). Esse é o parâmetro de santidade que o vivificado e libertado por Deus tem. Ele não confia em sua consciência corrompida, ele busca na Palavra de Deus os seus conselhos, ele medita na lei de dia e de noite e isso é saúde para seu corpo, dá sabedoria e alegra o seu coração (Salmo 19).
Tal como a lei penal aflige o homem que a transgride, colocando-o por vezes numa prisão, assim a lei de Deus é uma aflição ao homem que vive no pecado. Mas, ao liberto por Cristo e vivificado por Deus, ela é tema das suas meditações e alegrias.
Que possamos buscar do Senhor as condições necessárias, pois, em nós mesmos, não as temos (não tínhamos condições de decidir servi-Lo, mas Ele tem Se revelado a nós; não tínhamos condições de fazermos Sua vontade, mas Ele tem sido nossa Força. Aleluia!). Aquele que é Fiel e Justo e nos alistou, por graça e misericórdia, em Suas fileiras, dar-nos-á tudo quanto seja necessário para que estejamos alinhados à Sua vontade, que é boa, agradável e perfeita (Romanos 12: 2) sempre.
Todos os domingos à tarde, depois do culto da manhã na igreja, o pastor e seu filho de 11 anos saíam pela cidade e entregavam folhetos evangelísticos.
Numa tarde de domingo, quando chegou a hora do pastor e seu filho saírem pelas ruas com os folhetos, fazia muito frio lá fora e também chovia muito. O menino se agasalhou e disse: - Ok, papai, estou pronto.
E seu pai perguntou:
- Pronto para quê?
- Pai, está na hora de juntarmos os nossos folhetos e sairmos.
Seu pai respondeu:
- Filho, está muito frio lá fora e também está chovendo muito.
O menino olhou para o pai surpreso e perguntou:
- Mas, pai, as pessoas não vão para o inferno até mesmo em dias de chuva?
Seu pai respondeu:
- Menino, eu não vou sair nesse frio...
Triste, o menino perguntou:
- Pai, eu posso ir? Por favor!
Seu pai hesitou por um momento e depois disse:
- Filho, você pode ir. Aqui estão os folhetos. Tome cuidado, filho.
- Obrigado, pai!
Então, ele saiu no meio daquela chuva. Este menino de onze anos caminhou pelas ruas da cidade de porta em porta entregando folhetos evangelísticos a todos que via.
Depois de caminhar por duas horas na chuva, ele estava todo molhado, mas faltava o último folheto. Ele parou na esquina e procurou por alguém para entregar o folheto, mas as ruas estavam totalmente desertas.
Então ele se virou em direção à primeira casa que viu e caminhou pela calçada até a porta e tocou a campainha. Ele tocou a campainha, mas ninguém respondeu. Ele tocou de novo, mais uma vez, mas ninguém abriu a porta.
Ele esperou, mas não houve resposta.
Finalmente, este soldadinho de onze anos se virou para ir embora, mas algo o deteve. Mais uma vez, ele se virou para a porta, tocou a campainha e bateu na porta bem forte. Ele esperou, alguma coisa o fazia ficar ali na varanda. Ele tocou de novo e desta vez a porta se abriu bem devagar.
De pé na porta estava uma senhora idosa com um olhar muito triste.
Ela perguntou gentilmente:
- O que eu posso fazer por você, meu filho?
Com olhos radiantes e um sorriso que iluminou o mundo dela, este pequeno menino disse:
- Senhora, me perdoe se eu estou perturbando, mas eu só gostaria de dizer que JESUS A AMA MUITO e eu vim aqui para lhe entregar o meu último folheto que lhe dirá tudo sobre JESUS e seu grande AMOR.
Então ele entregou o seu último folheto e se virou para ir embora. Ela o chamou e disse:
- Obrigada, meu filho... E que Deus te abençoe!
Bem, na manhã do seguinte domingo na igreja, o Papai Pastor estava no púlpito. Quando o culto começou, ele perguntou:
- Alguém tem um testemunho ou algo a dizer?
Lentamente, na última fila da igreja, uma senhora idosa se pôs de pé.
Conforme ela começou a falar, um olhar glorioso transparecia em seu rosto.
- Ninguém me conhece nesta igreja. Eu nunca estive aqui. Vocês sabem, antes do domingo passado eu não era cristã. Meu marido faleceu faz algum tempo, deixando-me totalmente sozinha neste mundo. No domingo passado, sendo um dia particularmente frio e chuvoso, eu tinha decidido no meu coração que eu chegaria ao fim da linha, eu não tinha mais esperança ou vontade de viver.
Então eu peguei uma corda e uma cadeira e subi as escadas para o sótão da minha casa. Eu amarrei a corda numa madeira no telhado, subi na cadeira e coloquei a outra ponta da corda em volta do meu pescoço. De pé naquela
cadeira, tão só e de coração partido, eu estava a ponto de saltar, quando, de repente, o toque da campainha me assustou. Eu pensei:
- Vou esperar um minuto e quem quer que seja irá embora.
Eu esperei e esperei, mas a campainha parecia tocar cada vez mais alto e era mais insistente; depois a pessoa que estava tocando também começou a bater bem forte. Eu pensei:
- Quem neste mundo pode ser? Ninguém toca a campainha da minha casa ou vem me visitar.
Eu afrouxei a corda do meu pescoço e segui em direção à porta, enquanto a campainha soava cada vez mais alto.
Quando eu abri a porta e vi quem era, eu mal pude acreditar, pois na minha varanda estava o menino mais radiante e angelical que já vi em minha vida.
O seu SORRISO, ah, eu nunca poderia descrevê-lo a vocês!
As palavras que saíam da sua boca fizeram com que o meu coração que estava morto há muito tempo SALTASSE PARA A VIDA quando ele exclamou com voz de querubim:
- “Senhora, eu só vim aqui para dizer que JESUS A AMA MUITO!”
Então ele me entregou este folheto que eu agora tenho em minhas mãos.
Conforme aquele anjinho desaparecia no frio e na chuva, eu fechei a porta e atenciosamente li cada palavra deste folheto. Então eu subi para o sótão para pegar a minha corda e a cadeira. Eu não iria precisar mais delas. Vocês vêem - eu agora sou uma Filha Feliz do REI!
Já que o endereço da sua igreja estava no verso deste folheto, eu vim aqui pessoalmente para dizer ‘OBRIGADA’ ao anjinho de Deus que no momento certo livrou a minha alma de uma eternidade no inferno.
Não havia quem não tivesse lágrimas nos olhos na igreja. E quando gritos de louvor e honra ao REI ecoaram por todo o edifício, o Papai Pastor desceu do púlpito e foi em direção à primeira fila onde o seu anjinho estava sentado. Ele tomou o seu filho nos braços e chorou copiosamente.
Provavelmente nenhuma igreja teve um momento tão glorioso como este e provavelmente este universo nunca viu um pai tão transbordante de amor e honra por causa do seu filho… Exceto um. Este Pai também permitiu que o Seu Filho viesse a um mundo frio e tenebroso. Ele recebeu o Seu Filho de volta com gozo indescritível, todo o céu gritou louvores e honra ao Rei, o Pai assentou o Seu Filho num trono acima de todo principado e potestade e lhe deu um nome que é acima de todo nome.
Bem aventurados são os olhos que vêem esta mensagem. Não deixe que ela se perca, leia-a de novo e passe-a adiante.
Lembre-se: a mensagem de Deus pode fazer a diferença na vida de alguém próximo a você. Não tenha medo ou vergonha de compartilhar esta mensagem maravilhosa.
Se é verdade, como Emerson falou certa vez, que "o mundo inteiro ama um amante", então a história de Oséias deveria ser a mais amada em toda a Bíblia.
Em certos aspectos ela difere pouco de dez mil outras histórias que acontecem todo ano em Nova York, Londres, Dallas ou S. Francisco. É a história de um voto quebrado e de um lar desfeito, de um coração partido, de uma vida destruída. Mas em outros aspectos a história é tão absolutamente única que está na linha de uma das mais admiráveis de toda a literatura. Deus escolheu a história triste e sórdida deste profeta de coração partido, a fim de revelar o Seu coração e manifestar o Seu amor.
Decepcionado no Amor
A história de Oséias aconteceu na cidade de Samaria. Oséias encontrou, amou e mais tarde se casou com uma jovem mulher chamada Gômer. Gômer deve ter sido arrebatada por este homem de coração heróico, apaixonado como um poeta e zeloso como um santo. Ainda que Deus conhecesse bem o desenrolar desse relacionamento, deu sua permissão para que Oséias cassasse com Gômer. "... Disse, pois, o SENHOR a Oséias: Vai, toma uma mulher de prostituições e filhos de prostituição; porque a terra certamente se prostitui, desviando-se do SENHOR". (Oséias 1:2)
A vida de qualquer homem é abençoada ou amaldiçoada conforme a mulher com quem se casa. Logo que Oséias encontrou Gômer, deve ter pensado que ela era tão pura como o lírio do vale do seu poema favorito - Cântico dos Cânticos de Salomão. Ele deve ter esperado que o seu futuro fosse repleto de bênçãos e alegria.
Mas à medida que se passavam os dias e ele ia conhecendo-a melhor, começou a ficar decepcionado. Será que as pétalas de sua pureza já não haviam sido arrancadas e pisoteadas pelas paixões de homens vis e impuros antes do casamento? Será que Oséias estava ocupado demais para dar à sua jovem esposa a atenção de que ela necessitava? Talvez jamais venhamos a sabê-lo. Sabemos apenas que o coração de Gômer se afastou do marido e que ela foi em busca do afeto de outros amantes.
Oséias deve ter notado e sofrido com esse esfriamento da afeição da esposa. E não foi esse o único fardo colocado sobre o seu coração. Ele também via sua nação, a nação de Israel, afastando-se de Deus. Tinha havido uma série de vitórias militares sob o rei Joás, cujo filho Jeroboão II continuou o seu sucesso militar e prosperidade, ganhando para si um reinado de quarenta e um anos. Contudo o Rei Jeroboão afastou de Deus o coração do seu povo. "E fez o que era mau aos olhos do SENHOR; nunca se apartou de nenhum dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com que fez pecar Israel" (2 Reis 14:24).
Oséias pôde observar que sua nação, embora próspera, eventualmente iria cair vítima da máquina bélica da Assíria, a não ser que se arrependesse do seu pecado. Dia após dia, Oséias regressava ao lar com o fardo de uma nação decadente pesando em seu coração. Noite após noite, ele ficava acordado, a ponto de prejudicar-se, aguardando o regresso da esposa ao lar.
Certamente ele deve ter orado e visto como era um homem piedoso, levou o seu fardo ao Senhor.
Filhos do Adultério
Foi então que Gômer deu à luz um bebê. Para Oséias isso seria uma renovação de esperança. Talvez quando ele segurou aquele menino nos braços, deve ter raciocinado: "Foi Deus quem o fez. Pois este garotinho tomará uma mão gorducha e a colocará ao redor do meu peito e com a outra enlaçará o coração de Gômer e manterá nossas vidas unidas".
"E disse-lhe o SENHOR: Põe-lhe o nome de Jizreel; porque daqui a pouco visitarei o sangue de Jizreel sobre a casa de Jeú, e farei cessar o reino da casa de Israel" (Oséias 1:4).
Na língua hebraica, "Jizreel" significa "se livrar de alguma coisa", deixar algo de lado. Era também o nome de uma cidade que havia desempenhado um papel trágico na história de Israel. A terrível apostasia sob o Rei Acabe e a Rainha Jezabel havia chegado a um desfecho ameaçador, quando a rainha foi atirada de uma janela do seu palácio e o seu corpo foi devorado por cães, nas ruas de Jizreel.
Então quando Deus disse a Oséias que chamasse o seu filho de Jizreel, ele estava tornando o garoto e sua família, uma lição ilustrativa da relação de Deus com o seu povo. É como se hoje um pai judeu chamasse o filho de Dachau, ou Bergen-Belsen, nomes dos campos de horror de Hitler, onde milhões de judeus foram massacrados durante a II Guerra Mundial. Esses nomes, soando aos ouvidos de um judeu hoje em dia, iriam arrancar do cemitério das memórias, fantasmas dos dias passados.
Desse modo, Jizreel era um lembrete a Israel do relacionamento de Deus com o seu povo. Cada vez que Oséias chamasse o seu filho para brincar, cada vez que o chamasse no mercado, esse nome iria soar aos ouvidos de um judeu piedoso como uma nefasta lembrança de que no passado Deus havia sido fiel para lidar com o pecado da nação.
Contudo, apesar do filho pequeno, Gômer não mudou. "E tornou ela a conceber, e deu à luz uma filha. E Deus disse: Põe-lhe o nome de Lo-Ruama; porque eu não tornarei mais a compadecer-me da casa de Israel, mas tudo lhe tirarei" (Oséias 1:6). Este nome significa "desgraça" ou "sem misericórdia".
Depois que Lo-Ruama foi desmamada, Gômer gerou uma terceira criança - o segundo filho. Por ordem de Deus este foi chamado Lo-Ami.
Esses três nomes dos filhos de Oséias significam duas coisas. Primeiro, eles nos dão um esboço do que iria acontecer à nação de Israel. Segundo, eles nos dão um relance quanto ao que iria acontecer com a família do profeta. Pois este terceiro nome Lo-Ami, significa não meu povo. Mostram que em sua amargura e sofrimento de coração, Oséias foi dominado por uma suspeita que se tornou uma certeza condenatória de que essas crianças geradas em seu lar não eram de modo algum seus filhos!
Indo atrás de uma Esposa Infiel
Muito embora Gômer vivesse em adultério, Oséias não quis divorciar-se dela. O que aconteceu depois pode ser avaliado, conforme a mensagem de Deus dada por Oséias ao seu povo no Capítulo 2. Parece que Gômer o abandonou. Quem sabe ela deixou um bilhete pregado na porta, dizendo-lhe que estaria indo embora para viver sua própria vida, deixando as crianças com Oséias, e que este não deveria ir atrás dela.
Então podemos visualizar o profeta, à noite, colocando na cama, seus filhos para dormir. Ele tem de ser pai e mãe ao mesmo tempo. Ele lhes dá o jantar frugal e escuta suas orações e depois fica velando até que adormeçam. Mas Oséias continua insone. Muito embora Gômer tenha abandonado o lar, não abandonou o seu coração.
Provavelmente, quando Gômer abandonou Oséias, pensou que iria melhorar de vida. "Porque sua mãe se prostituiu; aquela que os concebeu houve-se torpemente, porque diz: Irei atrás de meus amantes, que me dão meu pão e a minha água, a minha lã e o meu linho, o meu óleo e as minhas bebidas" (Oséias 2:5). Talvez ela tivesse sido iludida por promessas de alimentos exóticos e roupas excitantes. Mas, como sempre acontece com as pessoas que trilham esse desastroso caminho, que a princípio parece conduzir às alturas, de repente muda e cai até às profundezas.
Todo esse tempo Oséias ficou observando a trilha degradante seguida pela esposa. Eventualmente parece que Gômer caiu nas mãos de um homem incapaz de prover suas necessidades básicas da vida. Mesmo sem o amor da esposa, Oséias deve ter decidido prover suas necessidades. Podemos imaginá-lo indo à casa do amante dela, apresentando-se e dizendo: "O senhor é o homem que está vivendo com Gômer, filha de Diblaim? O homem responde: "Bem, e se eu for?" Oséias diz: "Sou o marido dela". O homem fecha o punho e se prepara para a luta. Oséias diz: "Não, o senhor não entende. Veja, eu amo minha esposa. Amo-a profundamente e gostaria de saber se o senhor receberia um pouco do meu ouro e da minha prata para comprar as coisas de que ela precisa".
O homem olha espantado o profeta. Contudo, ao ver a prata na palma de sua mão, ele pensa: "não existe um tolo maior do que um velho tolo", e concorda com a proposta do profeta.
Vocês me diriam: "Não é lógico um homem pagar em sonante prata e ouro pela manutenção de uma mulher que foi falsa com ele". E concordo plenamente. Mas o caso é que, conforme se vê, Oséias não está agindo pela lógica. Está agindo por amor! "O coração tem razões que a própria razão desconhece" (Blaise Pascal). Pois o amor é de Deus e é infinito. "Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus" (1 João 4:7). Oséias está desempenhando com Gômer o papel que Deus tem desempenhado com você e comigo, durante toda a nossa vida.
Vejamos então este libidinoso crápula, voltando para casa. Seus braços estão cheios de coisas compradas com o dinheiro de Oséias. Gômer sai da cabana, vê o amante com os braços cheios de provisões e se atira sobre ele enlaçando-o e agradecendo pelo que ele fez.
Em algum lugar por trás das sombras, vemos Oséias. Ele tem uma rápida visão de Gômer e esta lhe enche o coração. Ele vê quando Gômer extravasa o seu afeto pelo sensual amante, agradecendo as coisas que o amor do marido lhe proveu. Em lágrimas Oséias diz: "Ela, pois, não reconhece que eu lhe dei o grão, e o mosto, e o azeite, e que lhe multipliquei a prata e o ouro, que eles usaram para Baal" (Oséias 2:8).
Antes de se zangar com uma mulher como Gômer, gostaria de lembrar-lhe que você e eu temos feito exatamente isso com Deus. É de Sua mão que recebemos o dom da vida. Dele temos recebido o alimento para nossas mesas e as vestes para nossos corpos. Contudo, quão depressa agradecemos a todos e a tudo, exceto a Deus, que no-los deu. Agradecemos aos amigos, ao governo, agradecemos o nosso vigor físico, a tudo e a todos, exceto a Deus, de quem provêm as bênçãos.
Redimindo a Rebelde
Em Oséias 2:9-23, Deus anuncia o seu plano de dupla face, no sentido de ganhar de volta o seu povo. Primeiro ele diz que lhe trará dureza, privando-o de todas as boas coisas da vida: "Portanto tornarei a tirar o meu grão a seu tempo e o meu mosto no seu tempo determinado; e arrebatarei a minha lã e o meu linho, com que cobriam a sua nudez" (Oséias 2:9).
Em seguida, quando o seu povo cair na maior miséria, Deus começará a “cortejá-lo” novamente, procurando ganhar-lhe de volta os corações. “Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração” (Oséias 2:14). Tanto a justiça como o amor de Deus fazem parte do seu plano. Nem a Sua justiça nem o Seu amor permitir-lhe-ão abandonar o seu povo.
Será que Deus nos ama desse modo? Saltando das fontes escriturísticas, está a verdade de que Deus nos ama exatamente assim.
Deus dá ao homem o metal da mina. Deus dá ao homem as árvores da floresta. Deus dá ao homem a destreza manual. O homem com a sua destreza derruba a árvore. O homem com a sua destreza extrai o metal da mina. Depois do metal extraído e da árvore cortada, o homem com a sua destreza pega essa árvore e faz dela uma cruz. Com sua destreza toma o metal e o transforma em pregos.
Em seguida, Deus vem na Pessoa de Jesus Cristo e permite que os homens, com violência cruel, fixem os pregos em suas mãos. Então Ele morre naquela cruz por amor de cada homem que ali o colocou, pelas multidões que zombam ao pé da cruz, pelos soldados que cravaram os pregos em suas mãos. Ele morre ali por eles e por nós, por você e eu, para que tenhamos os nossos pecados perdoados, a fim de obtermos vida eterna e possamos ir morar no céu, para todo o sempre.
No Capítulo 3 descobrimos o último ato deste admirável drama da redenção. Não apenas Gômer caiu nas mãos de um homem incapaz de prover suas necessidades. Ela agora caiu nas mãos de um homem que não queria provê-las. Evidentemente, esse homem decide vendê-la como escrava.
Nos dias em que esta história aconteceu, a escravidão era institucionalizada. Alguns historiadores contam que quando uma mulher era oferecida num leilão de escravos, ela era despida de suas vestes e forçada a permanecer de pé diante da multidão curiosa. Foi evidentemente para esse lugar que Gômer fora levada e para lá Oséias fora chamado.
Vocês podem imaginar o cochicho da multidão e o comentário que ia de boca em boca, quando esta viu Oséias. As pessoas diziam: "Ele veio para observar o que ela merecia. Ele veio para observar o seu castigo".
Então começa o pregão. Alguém oferece dez peças de prata, outro oferece doze. E Oséias diz: "dou quinze peças de prata". Alguém mais diz: "dou quinze peças de prata e um feixe de cevada". Oséias diz: "dou quinze peças de prata e um feixe e meio de cevada". Soa o martelo e Oséias se apressa em redimir a esposa. "E comprei-a para mim por quinze peças de prata, e um ômer, e meio ômer de cevada" (Oséias 3:2).
Enquanto a conduz para longe da multidão, o povo deve ter dito: "é um preço alto pago pela vingança. Por que não apenas deixou que ela fosse vendida como escrava? Por que pagar tanta prata por uma mulher que usou de falsidade?"
Mas Oséias não comprou sua esposa a fim de puni-la, mas para redimi-la. "E ele lhe disse: Tu ficarás comigo muitos dias; não te prostituirás, nem serás de outro homem; assim também eu esperarei por ti" (Oséias 3:3). O que Oséias está sugerindo é : "o que você não faria de sua livre vontade, peço-lhe para fazer agora como uma possessão adquirida".
Isso é o que depreendemos através de toda a Bíblia. Deus diz que nos ama e porque Ele nos redimiu, pede que O sirvamos. O apóstolo Pedro disse aos que estavam sob os seus cuidados: "Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo" (1 Pedro 1:18,19-a).
O apóstolo Paulo escrevendo aos Coríntios, membros de uma igreja culpada de perversão sexual, disse-lhes: "Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus" (1 Coríntios 6:20).
Lições de Oséias
A primeira lição de Oséias é esta: se você fosse servir a Deus, de hoje até o dia de sua morte, ele não o amaria mais do que o ama agora. Porque Deus não o ama por causa do que você faz. Deus o ama apesar do que você faz.
Somos supremamente amados e porque temos sido tão amados, retribuímos com adoração, serviço, amor e louvor.
A segunda lição talvez seja para homens e mulheres que absolutamente não conhecem a Deus e jamais colocaram sua confiança em Cristo. É uma lição para pessoas de corações partidos e lares desfeitos, com sonhos desfeitos e vidas destruídas. É uma lição para aqueles que das profundezas de suas almas clamam na escuridão da noite: "onde está Deus? Onde está Ele para que eu possa encontrá-Lo?"
A resposta do livro de Oséias é:
“Deus não está perdido, você é quem está”.
Este é o Deus que foi à cruz do Calvário, e em busca dos homens, através do túnel de um túmulo vazio. Sempre e sempre Ele os procura para trazê-los de volta até Ele.
Quando os homens gritam: "onde está Deus?" A resposta é sempre a mesma.
Deus está aqui mesmo. Ele está esperando por você. Ele pede que você venha até Ele. Ele o espera para enlaçá-lo com o Seu amor. Ele o apressa a vir pela fé, a fim de conhecê-Lo e conhecer a significação do amor na verdadeira profundidade do seu coração.
Traduzido por Mary Schultze
Para OIKOS - Ministério Cristão de Apoio à Família